Medida ocorre diante da estagnação das negociações de paz.

O Hamas comunicou nesta segunda-feira (6) que encerrará seu governo na Faixa de Gaza, uma decisão que especialistas acreditam ser uma pressão sobre Israel, já que as negociações de cessar-fogo mediadas pelos Estados Unidos não estão avançando.
Ismail al-Thwabta, diretor do Gabinete de Mídia do Governo (GMO) do Hamas, declarou que o grupo está preparado para transferir o governo a um comitê tecnocrata que está encarregado de gerir o território, de acordo com um acordo prévio.
✨ Apesar do anúncio, o Hamas não mencionou o desarmamento, que é uma exigência importante para a próxima fase do cessar-fogo, e que o grupo se recusa a aceitar até agora.
A medida não altera substancialmente a situação em Gaza, onde o Hamas mantém um controle rígido sobre as áreas livres das forças israelo-americanas. Contudo, a decisão reinvoca a atenção para a implementação do cessar-fogo, cuja pressão foi reforçada pelo presidente Donald Trump em relação ao primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu.
O Hamas convocou mediadores e a esfera internacional a exercer pressão sobre Israel para permitir que o comitê comece a operar em Gaza, enfatizando a necessidade de acelerar o processo para aliviar a situação do povo palestino.
O Conselho de Paz, estabelecido para acompanhar o cessar-fogo, se manifestou sobre a declaração do Hamas, afirmando que aguarda ações concretas em vez de compromissos vazios.
"O princípio fundamental continua sendo: uma autoridade, uma lei e uma arma
Especialistas argumentam que a declaração representa uma tentativa do Hamas de contornar Netanyahu e fazer apelos diretos aos Estados Unidos. Muhammad Shehada, analista do Conselho Europeu de Relações Exteriores, considerou a iniciativa da transferência de poder como uma estratégia inteligente, embora possa chegar tarde demais.
Desde o início das hostilidades, mais de mil pessoas perderam a vida em ataques israelenses. Atualmente, Israel ocupa cerca de 70% da Faixa de Gaza.
O Hamas também anunciou que os atuais funcionários do governo dedicado seriam reclassificados como servidores públicos sob a futura gestão do comitê, que consiste em aproximadamente 60 mil empregados.
A pressão dos Estados Unidos sobre Israel está prevista para aumentar, com os mediadores se esforçando para apresentar um progresso ao governo americano referente ao cessar-fogo, que foi estabelecido em um plano de 20 pontos.
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Jornalista especializado em Internacional

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