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Internacional
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Agricultor colombiano volta a cultivar coca após falta de apoio

Desilusão com programas de substituição leva agricultores a escolher a coca

Gabriel Rodrigues27 de julho de 2026 às 04:15
Agricultor colombiano volta a cultivar coca após falta de apoio

Na Colômbia, o agricultor Perea, que havia decidido deixar de cultivar coca visando uma vida mais digna, voltou a plantar a planta devido à falta de apoio governamental. Ele havia substituído os arbustos de coca por mandioca e banana, mas a ausência de assistência prometida fez com que ele reconsiderasse sua decisão.

Desafios da substituição

Perea não é o único. Milhares de agricultores que, como ele, se inscreveram no Programa Nacional Integral de Substituição de Cultivos Ilícitos (PNIS) enfrentam frustrações semelhantes. Promessas de apoio financeiro e técnico não foram cumpridas, fator que impulsionou muitos a retomarem a cultura da coca.

Os cultivos de coca na Colômbia chegaram a mais de 250 mil hectares, um recorde histórico.

Apesar dos altos riscos, o cultivo de coca oferece uma rentabilidade que os agricultores não conseguem encontrar em outras culturas. O pesquisador Lucas Marín Llanes destaca que a velocidade da colheita e a certeza do preço tornam a coca uma opção atraente para muitas famílias.

Impactos do PNIS

O PNIS foi criado após um acordo de paz com as FARC, prometendo apoio financeiro para que os agricultores abandonavam a coca. Entretanto, os relatos de agricultores como Elena Hernández mostram que a promessa não se concretizou; muitos não receberam o dinheiro ou o suporte técnico necessário.

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O governo não estava muito comprometido conosco, agricultores. Fomos maltratados.

A mudança de prioridades políticas também afetou o programa. Desde a presidência de Iván Duque, as políticas de erradicação de cultivos tomaram o lugar do suporte ao desenvolvimento sustentável.

Os agricultores ainda buscam alternativas e apoio do governo, mas muitos permanecem decepcionados.

Uma Nova Esperança?

O governo atual, sob Gustavo Petro, lançou um novo programa chamado RenHacemos, visando corrigir as falhas do PNIS. A proposta é mais abrangente, oferecendo não apenas suporte financeiro, mas melhorias em infraestrutura e oportunidades de educação.

No entanto, analistas e agricultores permanecem céticos. O cultivo de coca parece estar enraizado nas economias políticas locais, criando um ciclo difícil de romper.

Michael Weintraub alertou sobre a necessidade urgente de soluções para o cultivo de coca, reconhecendo a fragilidade do sistema de segurança no campo.

O futuro dos agricultores que dependem do cultivo de coca ainda é incerto. Enquanto alguns registram melhorias, a história de Perea revela a dura realidade que muitos enfrentam: a única opção viável, por ora, parece continuar cultivando a planta que eles tentaram deixar para trás.

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