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Internacional
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Cuba acusa EUA de extorquir países da América Latina

Ação americana visa cancelar acordos médicos com a ilha.

Fernanda Lima09 de abril de 2026 às 15:55
Cuba acusa EUA de extorquir países da América Latina

Cuba denunciou, nesta quinta-feira (9), que os Estados Unidos estão pressionando nações da América Latina e do Caribe para que rompam acordos de cooperação médica com a ilha, com o objetivo de prejudicar sua economia.

O envio de brigadas médicas a outros países representa a principal fonte de renda do governo cubano, com uma receita prevista de 7 bilhões de dólares em 2025. No ano anterior, cerca de 24.000 médicos cubanos atuavam em 56 países ao redor do mundo.

Recentemente, países como Guatemala, Honduras, Jamaica e Guiana encerraram acordos que, em alguns casos, existiam há mais de 25 anos.

Bruno Rodríguez, chanceler cubano, acusou os EUA de usar 'pretextos falaciosos' para eliminar a presença das brigadas médicas cubanas em diversos países, enfatizando que isso é parte de uma estratégia para sufocar a economia da ilha.

Ele destacou que o governo dos EUA promove uma campanha para dificultar as fontes legítimas de receita de Cuba, afetando diretamente a população da ilha.

A administração Trump impôs uma política de 'pressão máxima' contra Cuba, que corta as exportações de petróleo para a ilha, especialmente após a destituição do presidente venezuelano Nicolás Maduro, um importante aliado de Havana.

Isso intensificou a crise econômica e energética em Cuba, resultando em apagões frequentes. Recentemente, Trump permitiu a entrega de petróleo russo à ilha, o que foi um alívio temporário.

Denúncias de violações de direitos humanos

A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) divulgou um relatório a respeito das missões médicas cubanas, denunciando graves violações, como retenções salariais e ameaças de prisão para os profissionais que tentam abandonar as missões.

"

Existem elementos para qualificar como 'trabalho forçado' e 'tráfico humano' várias práticas realizadas nesse programa

Edgar Stuardo Ralón, presidente da CIDH.

O relatório aponta que os profissionais cubanos recebem apenas uma fração do pagamento feito pelos países receptores, o que prejudica sua capacidade de viver dignamente.

Rodríguez defendeu as brigadas médicas, afirmando que suas operações são baseadas em auxílio solidário e que os profissionais atuam voluntariamente, seguindo normas internacionais.

Diante do aumento das tensões entre Cuba e os EUA, a vice-chanceler cubana, Josefina Vidal, afirmou que as conversas entre os países estão em um estágio inicial, embora haja interesse em restabelecer melhores relações.

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