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Deserdorados alegam recrutamento forçado e buscam escapar da guerra

Centenas de militares ucranianos deixaram seus postos, utilizando o período de treinamento na Alemanha para desertar desde o início da invasão russa. Segundo a mídia local, muitos desertores relataram que foram recrutados à força, aproveitando a permanência em território alemão para escapar.
Conforme publicado pelo jornal semanal alemão Die Zeit, mais de 80 soldados desapareceram apenas do campo de treinamento de Altengrabow, localizado em Saxônia-Anhalt. Estima-se que o número total de desertores em toda a Alemanha seja muito maior, mas o Ministério da Defesa não divulga estatísticas detalhadas.
Os desertores se veem como criminosos, pois a legislação ucraniana prevê penas de até 12 anos de prisão para aqueles que abandonam o serviço militar. Os relatos dos desertores indicam uma variedade de razões para a fuga: abusos por parte dos superiores e o desejo de reencontrar familiares na União Europeia são algumas das alegações.
Um dos soldados que conversou com a Die Zeit declarou: “Eu simplesmente não quero morrer nem matar”, refletindo um sentimento crescente entre aqueles que não desejam mais participar do conflito.
✨ A deserção evidencia os desafios da Ucrânia em manter suas forças armadas após mais de quatro anos de guerra.
Dados indicam que cerca de dois milhões de homens em idade militar estão evitando o recrutamento, enquanto pelo menos 60 mil soldados já desertaram. Além disso, 250 mil membros das forças armadas teriam se ausentado sem autorização.
Diferentemente dos refugiados civis, os militares ucranianos em treinamento na Alemanha não têm acesso automático à proteção temporária da União Europeia. Contudo, muitos podem solicitar asilo, desde que comprovem risco ao retornarem à Ucrânia.
Um desertor já está em processo de asilo, residindo em um centro de acolhimento na Alemanha, numa tentativa de escapar da perseguição ao retornar ao seu país.
A atual situação das Forças Armadas ucranianas revela uma escassez de efetivo e dificuldade em repor baixas, com a resistência ao recrutamento se tornando um dos principais desafios enfrentados pelo governo de Volodimir Zelenski.
Adicionalmente, cerca de 1,3 milhão de ucranianos estão isentos do serviço militar por ocupações essenciais, como funcionários em setores governamentais, mídia e tecnologia da informação. Estudantes e homens com responsabilidades familiares também figuram entre os isentos.
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