Governo alerta brasileiros sobre viagem à Bolívia em crise
Bloqueios e protestos na Bolívia afetam deslocamentos e segurança

O Ministério das Relações Exteriores do Brasil recomendou, nesta quarta-feira, 27, que brasileiros evitem viajar para a Bolívia devido à crise política no país vizinho, marcada por protestos e bloqueios.
Os tumultos se intensificaram nas últimas semanas, com manifestações exigindo a renúncia do presidente Rodrigo Paz, que se aprofundam em várias regiões e são respondidas com repressão policial. De acordo com o comunicado oficial, essas interrupções na circulação rodoviária têm prejudicado o acesso a locais turísticos como o Salar de Uyuni e a cidade de Copacabana, forçando, em alguns casos, o uso de voos para saída das áreas afetadas.
✨ Cerca de 75 mil brasileiros vivem atualmente na Bolívia.
O Itamaraty descreveu a condição na Bolívia como 'dinâmica', alertando que os bloqueios podem se espalhar para outras regiões. O alerta consular aconselhou os cidadãos brasileiros a evitar deslocamentos rodoviários desnecessários, manter contato regular com familiares e não aceitar ajuda de estranhos, dada a possibilidade de golpes e crimes.
Os protestos que afetam o país já duram quase um mês e resultaram em escassez de alimentos, combustíveis e medicamentos. Em uma conversa telefônica na última segunda-feira, o presidente Lula expressou apoio a seu colega boliviano e organizou o envio de ajuda humanitária para a região. Além do Brasil, Estados Unidos e Argentina também se ofereceram para colaborar na mitigação dos efeitos das manifestações.
A nota emitida pelo Palácio do Planalto após a conversa entre os presidentes destaca a necessidade de diálogo e a rejeição da violência como formas de resolver as divergências. Rodrigo Paz, que assumiu a presidência há seis meses, enfrenta pressão de vários setores, incluindo o sindicato Central Operária Boliviana (COB) e grupos ligados ao ex-presidente Evo Morales.
As manifestações surgiram após a proposta do governo de uma reforma agrária que visa transformar pequenas propriedades em médias, permitindo que pequenos proprietários obtenham crédito. Essa medida, porém, foi interpretada por muitos como uma maneira de favorecer grandes proprietários e provocar a venda de terras agrícolas. Além disso, protestos de professores exigindo aumento salarial fortaleceram a mobilização, mesmo após um acordo com o Ministério da Educação.
Outras questões também estão sendo levantadas pelos manifestantes, como a qualidade do combustível e a revogação de uma comissão que analisa possíveis reformas na Constituição, vigente desde 2009.
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