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Justiça
3 min de leitura

Crime organizado infiltra eleições em Santa Catarina e Rio de Janeiro

Corrupção eleitoral cresce e desafia a liberdade do voto

Acro Rodrigues03 de junho de 2026 às 19:35
Crime organizado infiltra eleições em Santa Catarina e Rio de Janeiro

Sadi Vieira, eleito vereador em Timbé do Sul (SC), foi condenado por corrupção eleitoral no último mês de seu mandato, em 2024, destacando um fenômeno alarmante: o envolvimento direto do crime organizado nas eleições brasileiras.

Relatos sobre a compra de votos têm se tornado mais frequentes, com investigadores alertando para a presença de grupos como o PCC e Comando Vermelho, que financiam candidatos por meio de recursos ilícitos provenientes de atividades criminosas.

O fenômeno da corrupção eleitoral, antes isolado, agora ameaça a liberdade de escolha dos cidadãos e a integridade do processo democrático.

Coação e mudanças em locais de votação

Em regiões onde o crime organizado tem domínio, como no Rio de Janeiro, a venda de votos transforma eleitores em reféns. O Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ) já alterou o endereço de 53 seções eleitorais nas eleições de 2024 para proteger os votantes de ameaças.

Para as próximas eleições em 2026, o TRE já identificou pelo menos 20 áreas eleitorais que necessitarão de relocação para evitar a influência criminosa. O presidente do TRE-RJ, desembargador Claudio de Mello Tavares, assegura que o sistema eletrônico de votação é seguro, mas reconhece que a coação física ainda persiste.

Casos emblemáticos e o impacto do crime organizado

Casos como os de Dinho Resenha e do policial militar Michel Maia, condenados por crimes eleitorais em Belford Roxo (RJ), exemplificam a interligação entre candidatos e organizações criminosas. Enquanto Dinho é suspeito de ter vínculos com milícias, Maia foi flagrado, em escuta, ameaçando eleitores e oferecendo dinheiro por votos.

Desafios na investigação e o custo da corrupção

A infiltração do crime nas eleições não está restrita apenas aos grandes centros, e está se expandindo para áreas como o interior do Paraná e Santa Catarina. Em Timbé do Sul, investigações de tráfico de drogas revelaram um esquema em que cocaína era trocada por votos, marcando uma nova faceta dessa prática criminosa.

Um eleitor confessou ter trocado a foto de seu título de eleitor por R$ 50 em droga, evidenciando o grau de degradação da integridade eleitoral.

As autoridades enfrentam desafios, pois muitos crimes ocorrem em círculos fechados onde o medo desencoraja os testemunhos. A procuradora Nathalia Mariel enfatiza a complexidade das investigações deste tipo de delito, que acaba refletindo na degradação de serviços públicos.

Para especialistas, a conscientização sobre a importância do voto é crucial para reverter esse ciclo. Eleitores que cederam à corrupção frequentemente sentem arrependimento, apontando para a necessidade de promover uma democracia saudável.

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