Fragmentação da vegetação nativa no Brasil chega a 7,1 milhões de fragmentos
Estudo do MapBiomas revela aumento na divisão da cobertura vegetal entre 1986 e 2023.

Um novo estudo do MapBiomas, divulgado nesta quarta-feira, revela que o número de fragmentos de vegetação nativa no Brasil cresceu de 2,7 milhões em 1986 para 7,1 milhões em 2023. Este aumento indica um severo desmatamento, que tem fragmentado grandes áreas de vegetação nativa em porções menores e mais isoladas.
✨ A área média dos fragmentos teve uma queda acentuada, passando de 241 para 77 hectares durante o mesmo período.
O Módulo de Degradação do MapBiomas é a primeira iniciativa a analisar a fragmentação da vegetação nativa em nível nacional. Os dados revelam que quase 5% da vegetação nativa brasileira, ou 26,7 milhões de hectares, está agora distribuída em fragmentos menores que 250 hectares.
A Mata Atlântica apresenta a maior concentração de pequenas áreas, totalizando quase 28% da vegetação remanescente do bioma, aproximadamente 10 milhões de hectares. Em números absolutos, tanto a Mata Atlântica quanto o Cerrado têm 2,7 milhões de fragmentos cada, seguidos por quase 662 mil fragmentos na Amazônia e 600 mil na Caatinga.
O estudo destaca que o Pantanal e a Amazônia foram os biomas que mais registraram crescimento percentual na fragmentação, atingindo 350% e 332%, respectivamente. Dhemerson Conciani, do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), alerta que a diminuição dos fragmentos é prejudicial para a fauna e flora, além de intensificar o efeito de borda.
Impactos na Amazônia
Na Amazônia, a área média dos fragmentos caiu de 2.727 hectares em 1986 para 492 hectares em 2023, representando uma diminuição de 82%.
O relatório também observou distúrbios no dossel florestal que afetaram 24,9 milhões de hectares da Amazônia Legal entre 1988 e 2024, o que corresponde a 7% de sua cobertura florestal, com 9,7 milhões de hectares apresentando níveis de corte seletivo de madeira.
Com 24% da vegetação nativa remanescente do Brasil, equivalente a 134 milhões de hectares, exposta a pelo menos um fator de degradação, os pesquisadores ressaltam a importância do monitoramento para o desenvolvimento de políticas públicas que visem a recuperação ambiental e a redução das emissões de gases responsáveis pelo desmatamento.
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