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meio-ambiente
2 min de leitura

Mulheres Indígenas Ocupam Sede da Funai Contra Projeto da Belo Sun no Xingu

Conflito revela a luta de comunidades tradicionais diante do avanço da mineração na Amazônia

Giovani Ferreira30 de março de 2026 às 10:40
Mulheres Indígenas Ocupam Sede da Funai Contra Projeto da Belo Sun no Xingu

Na Amazônia, o Estado frequentemente prioridades o diálogo com as comunidades tradicionais após a implementação de projetos. Inicialmente, são anunciadas leis, licenças ou projetos. Somente após surgirem conflitos, como o fechamento de rodovias e paralisações de portos, o governo se dispõe a negociar.

Ocupa da Funai

Em Altamira (PA), mulheres indígenas protestam há mais de um mês ocupando a sede da Funai, em oposição à mineradora canadense Belo Sun. Essa mobilização surge em resposta ao avanço do projeto da mineradora na Volta Grande do Xingu, que pretende estabelecer a maior mina de ouro a céu aberto do Brasil, com estimativa de remoção de cerca de 620 milhões de toneladas de terra ao longo de quase 20 anos.

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Essas pessoas (os políticos) dizem ter poder para falar, mas são apenas covardes. Estamos sempre no Congresso e eles nunca nos recebem. Estão sempre fugindo

Tuíre Kayapó

Projeção de impactos severos devido ao projeto da Belo Sun.

Contexto

Pesquisadores e órgãos públicos alertam sobre a possibilidade de impactos cumulativos irreversíveis, como contaminação das águas e efeitos negativos na alimentação das comunidades locais.

O projeto da Belo Sun, que planeja construir uma barragem de rejeitos a 1,5 km do rio Xingu contendo substâncias tóxicas, foi viabilizado com a concessão de área pública pelo Incra durante o governo Bolsonaro, o que gerou polêmica e contestação judicial.

  • 1Desequilíbrio ambiental
  • 2Perda da soberania alimentar
  • 3Conflitos com comunidades tradicionais

No oeste do Pará, a história se repete com o governo promovendo projetos de dragagem do rio Tapajós sem consulta às populações indígenas. Para o governo, trata-se de infraestrutura para impulsionar a produção agrícola, mas os moradores locais veem isso como uma ameaça a seus modos de vida.

A crescente pressão sobre as comunidades levou a protestos significativos, incluindo bloqueios de rodovias e ocupações de terminais. Quando as ações impactaram o escoamento de grãos, o governo foi forçado a reverter suas decisões.

Tensões e Recuos

Lideranças do agronegócio reagiram negativamente ao revogamento de decretos favoráveis, considerando-o um sinal de fraqueza do governo. O mesmo padrão de tensão foi observado na gestão da educação, com a introdução de teleaulas, vista por muitos como uma ameaça ao ensino tradicional nas comunidades.

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Lula anda com os povos indígenas, demarca algumas terras, mas ainda não entendeu o significado da espiritualidade, não entendeu o local sagrado e a ancestralidade do rio

Alessandra Munduruku

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Giovani Ferreira

Jornalista especializado em meio-ambiente

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