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Meio Ambiente
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Relatório revela riscos de pesticidas na produção de café no Brasil

Trabalhadores rurais enfrentam exposição a substâncias nocivas

Camila Souza Ramos23 de junho de 2026 às 10:30
Relatório revela riscos de pesticidas na produção de café no Brasil

Um novo relatório da organização Coffee Watch alerta sobre os riscos que trabalhadores rurais enfrentam ao lidar com pesticidas na produção de café, uma cultura que responde por grande parte da economia brasileira. A pesquisa destaca o impacto preocupante na saúde desses profissionais, expostos a substâncias químicas sem a proteção necessária.

A grave realidade dos trabalhadores

O relatório intitulado 'Poison in Your Coffee' ('Veneno no seu café') analisa dados de centenas de estudos e conclui que o café é uma das culturas mais dependentes de pesticidas em várias nações produtoras. Estima-se que 14% dos pesticidas utilizados na agricultura cafeeira sejam cancerígenos, enquanto a maioria deles foi banida da União Europeia devido aos riscos à saúde e ao meio ambiente.

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Cerca de uma em cada cinco xícaras de café consumidas contém resíduos de pesticidas, mas o mais alarmante é o envenenamento dos trabalhadores

Etelle Higonnet, diretora da Coffee Watch.

A exposição a pesticidas sem proteção adequada pode causar intoxicações agudas e efeitos a longo prazo, como doenças neurodegenerativas.

Os riscos no Brasil

Como o maior produtor e exportador de café do mundo, o Brasil tem um papel essencial na questão. Investigações em regiões cafeeiras, sobretudo em Minas Gerais, revelam que trabalhadores frequentemente manipulam pesticidas sem os equipamentos necessários, levando a casos de intoxicação e exposições preocupantes. Além disso, numerosos pesticidas utilizados em lavouras brasileiras estão proibidos na União Europeia.

Contaminação ambiental

Entre 2002 e 2023, aproximadamente 737 mil hectares de florestas foram desmatados para o cultivo de café no Brasil, especialmente no Cerrado.

Os efeitos nos consumidores

Dados da pesquisa indicam que entre 2020 e 2024, os pesticidas foram a principal categoria de risco detectada em amostras de café na Europa. Surpreendentemente, 23% das amostras continham resíduos de substâncias banidas pela legislação europeia. As consequências dessa situação incluem não só riscos diretos à saúde dos trabalhadores, mas também à qualidade do que chega aos consumidores.

As certificações ambientais não garantem a ausência de pesticidas nos produtos, o que pode enganar os consumidores.

Caminhos para a mudança

Apesar do cenário alarmante, a Coffee Watch propõe alternativas sustentáveis que estão sendo implementadas com sucesso em diversas regiões. Práticas agroecológicas e sistemas agroflorestais podem ajudar a reduzir a dependência de pesticidas, promovendo ao mesmo tempo a preservação da biodiversidade e a saúde do solo. A organização enfatiza que o futuro do café pode ser mais positivo se o setor se comprometer a adotar essas soluções.

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