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Projeto amplifica cultivo de jaborandi e fortalece indústria farmacêutica

Iniciativa da Embrapii visa aumentar produção de pilocarpina no Brasil

Acro Rodrigues31 de maio de 2026 às 08:15
Projeto amplifica cultivo de jaborandi e fortalece indústria farmacêutica

Um projeto inovador, apoiado pela Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii), visa expandir a produção de jaborandi no Brasil, um insumo essencial para a indústria farmacêutica global.

Idealizado pela Centroflora em colaboração com a Unidade Embrapii Tecnologias em Química Verde, do Senai, o projeto pretende aumentar a produtividade da planta e o teor de pilocarpina, uma substância utilizada em tratamentos de glaucoma e outras condições de saúde.

O projeto já recebeu investimentos de cerca de R$ 2,5 milhões.

As pesquisas estão sendo realizadas em Parnaíba, no semiárido do Piauí, onde a equipe tem adaptado o jaborandi, que é nativo de regiões úmidas da Amazônia, para um ambiente seco. Luciene Costa Vasconcelos, gerente industrial da Centroflora, explica que a escolha se deve à origem do arbusto em estados como Pará e Maranhão.

Tradicionalmente, o jaborandi cresce em áreas inclinadas e sombreadas, atingindo até dois metros de altura. Contudo, em sua nova fazenda, a planta é cultivada em uma propriedade de 66 hectares, sob irrigação e exposta a altas temperaturas, frequentemente acima de 40 °C.

Essa região dos tabuleiros litorâneos oferece vantagens como um clima previsível e baixos riscos de geadas, sendo incentivada pelo governo federal.

A adaptação da planta às novas condições representa um grande desafio. Para isso, a Embrapii se concentra no estudo da microbiota do solo, entendendo tanto as condições químicas quanto biológicas locais e como elas afetam o cultivo do jaborandi.

Desafios da Adaptação

Para minimizar as taxas de mortalidade das mudas, uma estrutura conhecida como sombrite é utilizada para filtrar a luz solar durante o crescimento inicial.

Atualmente, as mudas podem apresentar baixos níveis de pilocarpina, que só começam a aumentar após um período de um a dois anos adequado de cultivo e manejo. O ideal é alcançar um teor entre 0,7% e 1%, o que exige paciência e cuidados específicos.

O manejo de poda também é crucial, pois a forma de corte pode influenciar na quantidade e qualidade da pilocarpina produzida. Vasconcelos destaca que a colheita precisa ser feita com atenção, visando preservar as mudas menores e garantindo a produtividade.

Após a colheita, as folhas do jaborandi passam por um rigoroso processo industrial de extração e purificação. Ao contrário de fitoterápicos, onde a planta pode ser usada quase in natura, a opção da Centroflora isola o princípio ativo com precisão.

Das 60 toneladas de planta, cerca de 250 quilos do ativo puro podem ser extraídos.

A pilocarpina, essencial no tratamento de glaucoma e xerostomia, necessita de alta pureza para reduzir efeitos colaterais. A produção local atende rigorosos padrões internacionais.

Atualmente, a fazenda ainda está em fase inicial de implantação do cultivo, com 90% da matéria-prima sendo obtida por extração e 10% do cultivo. O trabalho é feito em colaboração com cooperativas em Pará e Maranhão, garantindo práticas sustentáveis.

Com as plantas se adaptando bem e alcançando maior altura, a equipe está focada em identificar as mais produtivas, replicando as que apresentem maior teor de pilocarpina.

O projeto destaca a interconexão entre agronomia, química e biotecnologia, transformando uma espécie nativa em um insumo farmacêutico com alto valor.

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