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Varejo brasileiro registra perda de R$ 42,1 bilhões em 2025

Aumento das perdas desafia crescimento do faturamento do setor

Gabriel Rodrigues09 de junho de 2026 às 08:05
Varejo brasileiro registra perda de R$ 42,1 bilhões em 2025

O varejo no Brasil enfrentou perdas significativas em 2025, totalizando R$ 42,1 bilhões, de acordo com a 9ª edição da Pesquisa Abrappe de Prevenção de Perdas, realizada em parceria com a Protiviti. Enquanto o faturamento do setor obteve um crescimento de 6,4%, atingindo R$ 2,55 trilhões, as perdas aumentaram 15,3% no mesmo período.

O índice médio de perdas subiu de 1,51% em 2024 para 1,65% em 2025, o que representa um aumento de 9,27%. Para ilustrar, a cada R$ 61 em vendas, R$ 1 foi perdido, enquanto em 2024 essa cifra era de R$ 66 para cada R$ 1.

Destaques no varejo farmacêutico

O setor farmacêutico destacou-se pela crescente incidência de furtos relacionados a medicamentos caros, especialmente os análogos de GLP-1, como o Ozempic. Contudo, o índice geral do varejo farmacêutico permaneceu relativamente estável, encerrando 2025 com 1,24%.

Carlos Eduardo Santos, presidente da Abrappe, comentou que a popularidade das canetas emagrecedoras influenciou o comportamento de compra, provocando efeitos diretos na demanda por outras categorias de produtos. 'Mudanças nos hábitos dos consumidores estão afetando o setor de maneira ampla, incluindo o aumento de furtos relacionados a esses itens,' afirmou.

Desempenho das lojas de conveniência

As lojas de conveniência apresentaram o maior índice de perdas, com 3,81%, marcando um aumento de 24,5%. Essa situação é atribuída tanto à pressão exercida por produtos perecíveis quanto à falta de sistemas robustos de prevenção. Novamente, os hábitos em torno das canetas emagrecedoras parecem ter reduzido a procura por itens frequentemente vendidos nesses estabelecimentos.

As lojas de eletromóveis registraram aumento alarmante de 278,2% nas perdas totais.

Inovações tecnológicas fazem diferença

Nem todos os segmentos relataram crescimento nas perdas. As redes de atacado, por exemplo, conseguiram uma redução de 22,8% nas perdas, provando ser as mais eficazes na gestão desta questão. Artigos esportivos também tiveram uma diminuição significativa de 63,2% nas perdas não identificadas, atribuídas ao uso de tecnologias como RFID e sistemas antifurto.

Em contrapartida, o setor de perfumarias viu suas perdas operacionais dispararem 319%, vinculadas a problemas de validade e armazenamento inadequado dos produtos.

Apresentação dos resultados

Os dados completos da pesquisa serão divulgados no Fórum Abrappe de Prevenção de Perdas, agendado para 10 de junho de 2026, na Arena Magalu, em São Paulo.

Santos enfatizou que os números de 2025 servem como um alerta para o setor varejista. 'As perdas cresceram a um ritmo superior ao do faturamento. Precisamos encarar a prevenção de perdas como uma prioridade essencial,' concluiu.

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