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Opinião
2 min de leitura

Assédio: do ressentimento à repetição de violências

Explorando as motivações por trás do comportamento de assediadores

Mariana Souza23 de abril de 2026 às 17:15
Assédio: do ressentimento à repetição de violências

Os assediadores de mulheres refletem, antes de qualquer coisa, um estado de derrota pessoal. A expressão anglófona 'loser' ajuda a ilustrar essa condição, pois transmite com mais força do que sua tradução em português, 'perdedor'. Além de isso, evidencia um ressentimento profundo, que alimenta comportamentos agressivos e desrespeitosos.

A essência do assédio muitas vezes não é uma atração legítima, mas uma reação distorcida às rejeições que sofreram de outras mulheres. Isso revela um padrão do que o filósofo Nietzsche definiu como 'vingança adiada'. Tal sentimento se manifesta em abordagens invasivas e intimidadoras, como toques indesejados em transporte público ou em filas.

Essas ações resultam em repulsa e desprezo, levando o assediador a atrair não desejo, mas desprezo público e potencial reação negativa.

Reflito sobre um episódio de minha adolescência: ao ser assediada em um ônibus, reagi instintivamente, fincando meu salto no pé do agressor. A experiência foi um misto de revolta e satisfação, enfatizando como um ato de resistência pode ocorrer em situações de vulnerabilidade.

Importante diferenciá-los de casos mais graves, como os assediadores de crianças, cuja perversidade se agrava ainda mais por serem direcionados a indivíduos incapazes de se defender. Essas ações revelam uma crueldade que não pode ser ignorada.

Lembro-me do caso da ex-ministra Anielle Franco, que denunciou o ex-ministro Silvio Almeida por assédio. A gravidade da situação só aumentou ao saber que uma figura pública, possivelmente vítima de racismo estrutural, se envolveu em tal ato contra outra mulher negra.

É crucial também não confundir a intenção das interações. Nem toda aproximação masculina é assédio. Recentemente, observei a postura defensiva de certas jovens feministas que reagem de forma ríspida a qualquer abordagem. A questão é: como um homem pode abordar, gentilmente, uma mulher sem parecer que está invadindo seu espaço pessoal?

Por fim, nos perguntamos se assediadores realmente não conseguem controlar essa necessidade de importunar. É provável que, em muitos casos, o que os motiva não é o desejo sexual, mas um ciclo de ressentimento que perpetua sua dor por meio do assédio a outras mulheres.

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