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política
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Colapso da relação entre eleitores e instituições marca eleições na América Latina

Incertezas eleitorais e falta de legitimidade se tornam rotina

Gabriel Rodrigues11 de junho de 2026 às 01:01
Colapso da relação entre eleitores e instituições marca eleições na América Latina

As eleições na América Latina estão sendo marcadas por incertezas, exemplificadas pela recente situação no Peru, onde o país permanece sem um presidente eleito, mesmo após um fechamento das urnas em 7 de junho.

No Peru, a disputa entre Roberto Sánchez, do Juntos por el Perú, e Keiko Fujimori está tão acirrada que a diferença é inferior a 10 mil votos, com quase 18 milhões de votantes. As autoridades eleitorais preveem que o resultado oficial definitivo poderá demorar até um mês para ser revelado, enquanto os recursos de nulidade e as impugnações são analisados.

A incerteza eleitoral se tornou uma característica permanente da política peruana e de grande parte da América Latina, impactando na legitimidade das eleições.

A história recente do Peru é marcada por elementos alarmantes. Desde 2016, o país já teve oito presidentes, resultado de crises políticas e instabilidades institucional. A desconfiança em relação ao Congresso é palpável: as pesquisas mostram que a aprovação nunca ultrapassou 15% entre 2023 e 2024.

O cenário se repete com uma fragmentação sem precedentes, como evidenciado na última eleição, que contou com 35 candidatos, levando ao mesmo confronto final entre figuras que polarizam o eleitorado e aumentam as suspeitas de fraude.

A capacidade do novo presidente, seja ele quem for, de negociar e estabelecer acordos, será crucial para a sobrevivência do governo. Sem uma base estável, a probabilidade de um novo colapso institucional se intensifica.

A Crise de Credibilidade

A relação deteriorada entre eleitores e instituições não se limita ao Peru. Casos de líderes como Javier Milei, na Argentina, e Nayib Bukele, em El Salvador, evidenciam um padrão comum: a vitória frequentemente não se dá pelo apoio a um programa, mas pela rejeição aos que já estiveram no poder.

As pesquisas de opinião apontam que o principal fator que impulsiona os eleitores é o cansaço e a insatisfação com as alternativas tradicionais, refletindo uma incapacidade generalizada de construir coalizões efetivas.

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A fragmentação nos sistemas políticos resulta em extremismos e a incapacidade de estabelecer maiorias. O vencedor, assim, se vê cercado por um Congresso hostil e por uma oposição pronta a desestabilizá-lo.

Diante dessas adversidades, o Brasil se posiciona como uma exceção temporária, onde Luiz Inácio Lula da Silva conseguiu formar uma coalizão capaz que contrabalança as posições mais extremas, garantindo ao menos um nível de estabilidade.

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