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Saúde
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Saúde mental corporativa: desafios permanecem após NR-1

Expert destaca a necessidade de letramento emocional nas empresas

Giovani Ferreira25 de junho de 2026 às 08:05
Saúde mental corporativa: desafios permanecem após NR-1

Recentemente, a discussão sobre saúde mental no ambiente de trabalho ganhou importância, mas o conhecimento emocional ainda é escasso nas empresas brasileiras. O psicólogo Rossandro Klinjey, especialista em saúde coletiva e formação de lideranças, aponta que a nova Norma Regulamentadora NR-1 ajudou a enfatizar a questão, embora não resolva a raiz do problema.

Klinjey destaca que apenas cumprir a norma não é suficiente para entender as implicações emocionais nas dinâmicas de trabalho. Para ele, as empresas devem ir além do cumprimento legal e investir em treinamento que permita aos colaboradores reconhecer e gerenciar suas emoções.

Impacto da NR-1 e suas Limitações

Segundo o psicólogo, a NR-1 representa um marco simbólico ao reconhecer a saúde mental como um fator de risco verdadeiro para a carreira e a vida dos trabalhadores, em vez de uma mera fragilidade. No entanto, ele ressalta que normas regulatórias não são suficientes para moldar como as pessoas lidam com seus limites, conflitos e emoções profissionais.

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Nenhuma norma consegue regular sozinha a forma como as pessoas aprendem a lidar com suas emoções e suas relações

Rossandro Klinjey

Em seu podcast 'Cuidando da Alma', Klinjey lançou uma série voltada à NR-1, enfatizando a importância do letramento emocional. Este conceito abrange a habilidade de identificar sentimentos, entender como eles afetam os relacionamentos e tomar decisões mais conscientes em momentos de pressão e mudança.

Lacunas na Formação Profissional

De acordo com Klinjey, por décadas o mercado formou profissionais voltados para atingir metas e liderar equipes, mas falhou em ensinar sobre reconhecimento do sofrimento emocional e sinais de burnout. Ele destaca que a liderança enfrenta um desafio crítico: transformar a cultura da empresa e incorporar a saúde mental na rotina.

A cultura corporativa saudável é o que realmente protege a saúde mental.

Embora iniciativas como salas de descompressão e palestras sejam benéficas, elas não são suficientes em ambientes onde longas jornadas e a disponibilidade constante são normatizadas.

Relação entre Identidade e Trabalho

Outro aspecto importante que Klinjey observa é a tendência de os profissionais vincularem suas identidades à carreira, confundindo produtividade com valor pessoal. Essa perspectiva ajuda a explicar o aumento dos casos de burnout e ansiedade, uma vez que crises profissionais são vistas como crises de valor pessoal.

Integração entre Vida Pessoal e Profissional

Klinjey também aponta a necessidade de romper com a separação artificial entre vida pessoal e profissional. Eventos familiares e sociais impactam a saúde emocional no ambiente de trabalho. As empresas que reconhecem essa conexão estão mais propensas a criar ambientes saudáveis.

Ele conclui que organizações que integram a saúde mental como parte fundamental da sua cultura, com formação continuada de líderes e espaços de escuta efetivos, estarão à frente na construção de locais de trabalho saudáveis.

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