Surto de Ebola no Congo gera alerta sobre dados insuficientes
Médicos Sem Fronteiras destaca falhas na resposta e resistência comunitária

A organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) e autoridades congolesas alertam para a falta de dados precisos sobre o surto de Ebola que atinge leste do Congo, o que impede uma resposta eficaz ao avanço da doença.
✨ Atualmente, são 782 casos confirmados e 181 mortes, tornando este o terceiro surto de Ebola mais letal da história.
Apesar da confirmação de casos na região há um mês, profissionais de saúde indicam que a real gravidade do surto ainda não é completamente conhecida, citando grandes lacunas nos dados e resistência da comunidade local a medidas de controle, algumas vezes com violência.
Desafios na coleta de dados
A escassez de testes apropriados é apontada como uma das principais fragilidades da resposta ao surto. Muitas comunidades, especialmente as em áreas de conflito ativo, carecem de acesso a kits de testagem, resultando em atrasos significativos na obtenção de resultados laboratoriais.
Um representante da saúde pública do Congo, que preferiu não se identificar, destacou que os dados coletados de diferentes fontes—laboratórios, hospitais e equipes de vigilância—são difíceis de integrar, o que pode levar à subestimação ou superestimação dos casos.
Fuga de pacientes e resistência comunitária
Além da falta de dados precisos, os socorristas enfrentam resistência violenta. Recentemente, em Mongbwalu, a polícia teve que dispersar uma multidão que tentava roubar o corpo de uma suspeita vítima de Ebola durante um funeral.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) ressaltou que incidentes de violência como este elevam os riscos para as equipes de saúde, dificultando o cumprimento de protocolos de segurança e, por consequência, aumentando o risco de disseminação do vírus.
✨ A MSF alerta que a capacidade de tratamento é insuficiente, com apenas 14 centros para atender 31 zonas de saúde afetadas.
Em várias áreas, especialmente em Nizi, a falta de serviços médicos adequados faz com que os pacientes retornem às suas comunidades, onde falecem sem serem registrados.
Frederic Lai Manantsoa, coordenador de emergências da MSF na RDC, ressaltou a urgência de reforçar os sistemas de diagnóstico e vigilância, pedindo uma mobilização efetiva de recursos e profissionais de saúde para conter o surto.
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