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Saúde
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Vírus Sabiá evolui e pode complicar diagnósticos em São Paulo

Estudo revela variações genéticas do SABV, dificultando a identificação

Giovani Ferreira27 de maio de 2026 às 17:20
Vírus Sabiá evolui e pode complicar diagnósticos em São Paulo

O vírus sabiá (SABV), responsável por uma síndrome hemorrágica e neurológica aguda, apresenta variações genéticas que dificultam seu diagnóstico e já causou quatro mortes no estado de São Paulo desde 1990.

O SABV circula no Brasil há 142 anos e, segundo um estudo recente publicado na revista PLOS Neglected Tropical Diseases, análises de casos de 2019 e 2020 mostraram que o vírus se modificou ao longo dos anos, tornando os testes existentes ineficazes.

Desenvolvimento de Novos Testes

Pesquisadores do Centro Conjunto Brasil-Reino Unido para Descoberta, Diagnóstico, Genômica e Epidemiologia de Arbovírus (CADDE), apoiados pela FAPESP, desenvolveram primers — fragmentos de DNA — que agora podem ser usados para detectar com maior precisão o vírus em amostras laboratoriais.

Estudos mostram que as mutações no genoma do SABV impactaram diretamente a eficácia dos testes diagnósticos tradicionais.

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Não temos tantas ocorrências para realizar novas validações, mas este novo método pode ser mais confiável para futuros casos suspeitos

Ingra Morales Claro, pós-doutoranda da Universidade do Kentucky.

Casos Recentes e Coleta de Amostras

Em um dos casos analisados, um paciente de 52 anos, residente em Sorocaba, faleceu em janeiro de 2020. O SABV foi identificado após a realização de uma análise metagenômica, que permite detectar microrganismos sem precisar conhecê-los previamente.

Além disso, ao revistar amostras anteriores, os pesquisadores também descobriram um caso fatal de um trabalhador rural de 63 anos em Assis, internado em dezembro de 2019.

Circulação e Reservatórios

Ainda não se sabe qual animal serve como reservatório do SABV, mas especula-se que sejam roedores silvestres, considerando os locais onde ocorreram as infecções. A interação entre humanos e animais em áreas rurais potencializa o risco de transmissão.

O SABV é classificado entre os vírus brasileiros com maior risco de transmissão por aerossóis, exigindo alto nível de biossegurança para seu manuseio.

Importância da Pesquisa

Conhecer as variações do vírus é crucial para o desenvolvimento de testes eficientes e para o controle de surtos futuros da doença.

Em 2030, o Brasil deve inaugurar o Orion, laboratório de alto nível de segurança para o armazenamento e manipulação do SABV, em Campinas. Atualmente, a cepa de referência do vírus está nos Estados Unidos.

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