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Pesquisa transforma resíduos agroindustriais em ingredientes valiosos

Estudo da Unicamp desvenda o potencial dos subprodutos da soja e do cacau

Gabriel Rodrigues05 de julho de 2026 às 06:50
Pesquisa transforma resíduos agroindustriais em ingredientes valiosos

Cientistas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) estão explorando novas oportunidades para resíduos agroindustriais, mostrando que materiais frequentemente descartados podem ser convertidos em ingredientes valiosos para diversas indústrias.

O estudo, suportado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), se concentrou no reaproveitamento de subprodutos da soja e do cacau, buscando integrar práticas sustentáveis na produção de alimentos, cosméticos e suplementos nutricionais.

A pesquisa destaca a extração de isoflavonas, teobromina e outros compostos benéficos à saúde, utilizando tecnologias com baixo impacto ambiental.

Um dos focos foi o farelo de soja, um subproduto geralmente negligenciado após a extração do óleo. Os pesquisadores enfrentaram desafios para integrar as isoflavonas, conhecidas por suas propriedades promotoras de saúde, em produtos de maior valor agregado.

Historicamente, a extração dessas moléculas envolvia processos longos e o uso de solventes agressivos. Para otimizar a eficiência, os pesquisadores da Unicamp inovaram ao combinar solventes ecológicos sob alta pressão com ondas ultrassônicas, resultando em uma extração mais rápida e limpa.

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Nossa pesquisa buscou resolver essa questão aplicando uma tecnologia inovadora...

Pedro Henrique Santos, LabMAS, Unicamp

A pesquisa também revela que a casca das amêndoas de cacau, um resíduo frequentemente descartado na indústria do chocolate, pode ser uma fonte rica de compostos bioativos. Apesar de seu aroma semelhante aos nibs de cacau, muitos ainda não reconhecem seu potencial.

Os pesquisadores notam que essas cascas contêm fibras e substâncias com efeitos benéficos à saúde, e o desenvolvimento de métodos para extrair esses compostos é um passo vital. A equipe utilizou um sistema sob alta pressão com água e etanol, considerados seguros, para realizar a extração.

Dessa forma, conseguiram separar frações enriquecidas em teobromina, cafeína e compostos fenólicos, apresentando alternativas não apenas sustentáveis, mas também economicamente viáveis para a indústria.

A tecnologia inovadora permite melhor o controle da qualidade das matérias-primas vegetais, facilitando a identificação e a quantificação dos compostos presentes.

O estudo destaca a colaboração internacional, com a participação de pesquisadores da Universidad Politécnica de Madrid e do Future Industries Institute da Universidade da Austrália do Sul, refletindo um esforço coletivo em direção a práticas mais sustentáveis na indústria agroalimentar.

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