Anuário aponta que 65,1% das vítimas de feminicídio são negras
Dados revelam que a violência letal contra mulheres está vinculada a relações próximas.

O 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, apresentado nesta quarta-feira (23), revela um quadro alarmante sobre o feminicídio no Brasil. De acordo com os dados, 65,1% das mulheres assassinadas por razões de gênero em 2025 eram negras, sublinhando a desigualdade racial no contexto da violência de gênero.
Além disso, a pesquisa aponta que 62,5% dos feminicídios ocorreram no ambiente doméstico, um indicativo de que a violência contra a mulher frequentemente acontece onde deveria haver segurança. Essa situação é ainda mais preocupante considerando que 96,4% dos agressores identificados eram homens.
✨ Cerca de 80% dos crimes foram perpetrados por parceiros, ex-parceiros ou familiares das vítimas.
Juliana Brandão, coordenadora de Gênero e Raça do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, destaca a disparidade na violência contra mulheres negras, que continua a ser desproporcional. Para ela, essa realidade reflete um ciclo de violência que, muitas vezes, inclui ameaças e agressões físicas antes de culminar em feminicídio.
Cenário e Estatísticas Alarmantes
Os dados do anuário mostram que a maior parte das vítimas tinha entre 25 e 44 anos. O estudo também apresenta números preocupantes sobre a violência que antecede os feminicídios: para cada mulher assassinada, o Brasil registrou uma média de 502 ocorrências de ameaças e 182 casos de lesão corporal dolosa relacionados à violência doméstica.
Esses números sugerem que o feminicídio é frequentemente precedido por uma escalada de violência, o que indica que intervenções podem ser feitas antes que o crime se concretize.
"Estamos falando de episódios de violência não letal que frequentemente antecedem o feminicídio e que nem sempre são alcançados pelas medidas de proteção
✨ As tentativas de feminicídio também aumentaram, com 4.189 sobreviventes registradas em 2025.
Brandão observa que esses dados evidenciam a falha do Estado em identificar e proteger mulheres em situações de risco. A pesquisadora enfatiza que o Estado deve agir mais incisivamente para quebrar o ciclo de violência antes que tragédias aconteçam.
Assim, o estudo conclui que, para enfrentar o feminicídio, é vital não apenas responsabilizar os agressores, mas também intensificar a identificação precoce de casos de violência doméstica e fortalecer as redes de apoio às mulheres.
Leia Também
Não perca nenhuma notícia!
Receba as principais notícias e análises diretamente no seu email. Grátis e sem spam.
Gostou desta notícia? Compartilhe!





