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Segurança
3 min de leitura

Fluxo Oculto revela lavagem de R$ 26 bilhões em fintechs em SP

Operação expõe o uso de fintechs por organizações criminosas em São Paulo

Giovani Ferreira02 de junho de 2026 às 05:55
Fluxo Oculto revela lavagem de R$ 26 bilhões em fintechs em SP

Seis fintechs em São Paulo se tornaram alvos da operação Fluxo Oculto, após movimentar R$ 26 bilhões em um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao crime organizado, mesmo após a operação anterior, Carbono Oculto.

Operação e Métodos

Realizada no dia 29 de agosto de 2025, a operação cumpriu 59 mandados de busca e apreensão em várias fintechs e fundos de investimento. As empresas estavam envolvidas em um esquema que utilizava nafta, um solvente químico, desviado para processos de adulteração de combustíveis através de empresas de fachada.

O Ministério Público e a Receita Federal destacaram que as fintechs atuavam como 'bancos paralelos', facilitando a inserção de dinheiro ilícito no mercado financeiro.

De acordo com autoridades, as fintechs exploram lacunas na regulamentação, permitindo movimentações financeiras de difícil rastreamento. O secretário da Receita, Robinson Barreirinhas, enfatizou que o caminho do dinheiro sujo entrava no sistema financeiro por meio dessas instituições.

Contexto

O PCC e o Comando Vermelho foram classificados pelos Estados Unidos como organizações terroristas, o que pode impactar a relação de empresas brasileiras com o sistema financeiro internacional.

As investigações mostraram que essas fintechs substituíram as anteriores identificadas na operação Carbono Oculto, continuando a operar para o crime organizado. João Paulo Gabriel, promotor do Gaeco, alertou sobre a convergência de diferentes grupos criminosos que utilizam as mesmas práticas financeiras.

Desafios na Regulamentação

Fintechs não são consideradas bancos pelo Banco Central, o que lhes permite operar com requisitos de capital mais brandos. As medidas necessárias para combater a lavagem de dinheiro estão se intensificando, especialmente após a descoberta de operações fraudulentas.

Em resposta, a Receita Federal começou a exigir que essas empresas reportassem movimentações financeiras detalhadas. As novas regulamentações visam aumentar a transparência e dificultar a lavagem de dinheiro através de fintechs.

A operação Fluxo Oculto resultou na identificação de R$ 365 milhões em movimentações de criptoativos, uma área também vulnerável ao crime organizado.

As autoridades ressaltam que a fiscalização é tão crucial quanto a repressão. Contudo, há desafios com a infraestrutura da CVM e da própria Receita, que carecem de recursos para uma supervisão eficaz.

Impacto no Mercado Financeiro

A recente classificação do PCC e do CV como organizações terroristas gerou preocupações e discussões sobre as implicações para o mercado financeiro brasileiro, potencialmente resultando em sanções e intervenções.

Especialistas aconselham que empresas que operam com vínculos internacionais façam uma auditoria cuidadosa para evitar relações indesejadas com organizações criminosas e as consequências que podem advir disso.

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