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Sérgio Amadeu destaca papel das big techs no complexo militar dos EUA

O sociólogo analisa a relação entre tecnologia, dados e guerras modernas

Carlos Silva23 de junho de 2026 às 15:15
Sérgio Amadeu destaca papel das big techs no complexo militar dos EUA

No cenário atual, as gigantes da tecnologia não se limitam apenas a aplicativos e nuvens digitais, mas desempenham um papel crucial nas operações militares dos Estados Unidos. Essa é a conclusão do sociólogo Sérgio Amadeu, autor do livro 'As big techs e a guerra total: O complexo militar-industrial-dataficado'.

Em uma conversa mediada por Thais Reis Oliveira e Isabela Agostinelli, durante a segunda edição de 'Império em Transe', Amadeu abordou as idéias centrais de sua obra, enfatizando a interconexão entre tecnologia digital e atividades bélicas.

“O complexo militar é baseado em dados” — Sérgio Amadeu.

O sociólogo destacou que as inovações tecnológicas possibilitaram uma integração sem precedentes nas operações de guerra, que agora incluem drones, satélites, e dispositivos de inteligência que se entrelaçam com o cotidiano dos soldados. Essa complexidade não é simples de gerenciar.

A implicação é clara: as empresas privadas estão agora no centro da infraestrutura de vigilância e operações militares, deixando de ser meras fornecedoras de tecnologia. O exemplo mais extremo desse fenômeno é o caso de Gaza, onde a coleta de dados e o mapeamento de perfis se traduzem em ações fatais.

Amadeu criticou essa nova lógica, afirmando que o que se observa não é mais guerra convencional, mas sim assassinatos sistemáticos. O debate também se estendeu ao Brasil, onde ele sublinhou que a infraestrutura “soberana” do governo é alimentada por máquinas de empresas como Amazon, Oracle e Google, perdendo, assim, o conceito de soberania.

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“De soberana não tem nada, precisamos investir em tecnologia estatal.”

Sérgio Amadeu

Ele argumentou a favor do fortalecimento de empresas estatais, como o Serpro, que deveria voltar a desenvolver sua própria tecnologia. Atualmente, o Serpro é visto como um intermediário, algo que, segundo Amadeu, deve mudar para que se recupere sua função original.

Sobre o evento

O 'Império em Transe' é um ciclo de debates promovido pela CartaCapital em colaboração com a PUC-SP, que aborda temas de geopolítica e a crise da ordem internacional. O programa fará uma pausa em julho e retornará em agosto.

As discussões giraram em torno de temas cruciais, como a influência das big techs nas geopolíticas contemporâneas e a necessidade de uma política efetiva de soberania digital.

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