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Custo do milho afeta competitividade Brasil e EUA no agro

Estudo revela desafios semelhantes entre fazendas de Mato Grosso e Iowa

Mariana Souza22 de maio de 2026 às 11:45
Custo do milho afeta competitividade Brasil e EUA no agro

Entre 2020 e 2024, a competitividade do milho nos mercados global e local foi afetada por diversos fatores, como custos de produção e produtividade. Um estudo realizado por Joana Colussi e Michael Langemeier comparou fazendas típicas em Mato Grosso, Brasil, e Iowa, Estados Unidos, revelando como as condições de mercado impactaram as margens de lucro dos agricultores.

Custos de produção em Mato Grosso mais que dobraram, passando de US$ 69 para US$ 147 por tonelada.

Durante o período analisado, ambos os países enfrentaram a alta dos preços dos insumos, o impacto das restrições causadas pela pandemia e os reflexos da guerra Rússia-Ucrânia. Esses eventos foram determinantes para a alteração na rentabilidade das propriedades rurais.

Os dados padronizados da rede agribenchmark demonstraram que os custos totais foram consistentemente mais elevados nas propriedades americanas. Em Iowa, o custo de produção do milho subiu 22%, passando de US$ 160 para US$ 195 a tonelada. Em contrapartida, em Mato Grosso, apesar de partir de uma base menor, os custos mais que dobraram, superando os US$ 100.

Impactos e desafios

No Brasil, os custos diretos representaram mais da metade dos totais em todos os anos analisados, com grande influência dos fertilizantes. A dependência nacional de insumos importados, especialmente nitrogênio, ampliou o impacto das altas internacionais, agravadas pela desvalorização do real em relação ao dólar.

Nos Estados Unidos, os custos indiretos pesaram mais para três dos cinco anos analisados, levando em conta despesas com terras, máquinas e mão de obra. Exceções ocorreram em 2022 e 2023, quando os fertilizantes passaram a ter maior importância no custo das propriedades.

Em 2022, ambos os países experimentaram lucros devido aos preços do milho, que ultrapassaram US$ 6 por bushel em Chicago. Contudo, essa tendência não se sustentou em 2023 e 2024, quando ocorreram prejuízos, com perdas acentuadas em Iowa se comparadas a Mato Grosso.

No Brasil, a prática da segunda safra, que permite o cultivo simultâneo de soja e milho, ajuda a minimizar parte dos custos fixos. No entanto, esse modelo pode aumentar a vulnerabilidade a condições climáticas adversas, uma vez que depende de uma janela estreita entre as colheitas de soja e a chegada das chuvas.

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