Exigência de dados técnicos revoluciona agroindústria com novo acordo EU-Mercosul
Acordo traz mudanças significativas para práticas regenerativas no setor.

A aplicação de exigências técnicas rigorosas está se intensificando nas cadeias agroindustriais que buscam melhorias de acesso a mercados e valorização de práticas regenerativas.
Jacques Dieu, especialista em agricultura regenerativa e saúde do solo, ressalta que a implementação do Acordo Provisório UE-Mercosul a partir de 1º de maio de 2026, traz um novo desafio: a obrigatoriedade de apresentar dados sobre solo para acessos a mercado.
✨ Promessas de sustentabilidade sem evidências científicas estão perdendo espaço no mercado.
Nesse novo contexto, a necessidade de dados concretos demonstra a mudança do paradigma, onde a mera promessa de práticas sustentáveis não é suficiente; resultados visíveis e quantitativos são agora obrigatórios.
Um grande obstáculo na transição para modelos regenerativos é a invisibilidade do solo. Atualmente, produtores e indústrias contam com dados imprecisos acerca da biodiversidade microbiana e do estoque de carbono, o que os leva a trabalhar com estimativas em vez de certezas fundamentadas.
A medição do carbono no solo apresenta desafios relacionados ao tempo e à variabilidade, com mudanças significativas levando de cinco a dez anos para serem detectadas. Essas variáveis incluem fatores como clima, tipo de solo, manejo agrícola e o histórico da área cultivada, o que torna a comprovação de resultados ainda mais complexa.
Solução Digital para Monitoramento de Solo
A plataforma BeCrop®, desenvolvida pela Biome Makers Inc., surge como uma abordagem inovadora para preencher essa lacuna. A tecnologia oferece uma camada digital que analisa a inteligência biológica do solo e quantifica o potencial de sequestro de carbono com base em análises de DNA.
✨ BeCrop® mapeia a biodiversidade funcional e otimiza a eficiência radicular.
Além disso, a plataforma avalia a biodiversidade funcional relacionada à ciclagem de nutrientes, à supressão de patógenos e à eficiência da raiz. Também monitora a evolução das áreas para validar se as práticas regenerativas estão de fato produzindo resultados efetivos.
Esses dados ajudam a gerar indicadores auditáveis, em conformidade com exigências como CSRD, EUDR e certificações de carbono como Verra e Gold Standard. Assim, indústrias que atuam nos setores de alimentos e bioenergia podem utilizar essas informações para fortalecer suas metas ESG e aumentar sua credibilidade no acesso ao competitivo mercado europeu.
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Mariana Souza
Jornalista especializado em agricultura-sustentavel
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