Governo busca reverter embargo europeu a carnes brasileiras
Vice-presidente Geraldo Alckmin se compromete a agir após decisão da UE

Na última segunda-feira, o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, anunciou que o governo federal está comprometido em reverter a decisão da União Europeia que excluiu o Brasil da lista de nações autorizadas a exportar carnes e produtos derivados a partir de setembro.
Durante sua participação na Bahia Farm Show, evento agropecuário realizado em Luis Eduardo Magalhães (BA), Alckmin afirmou: 'Queremos que o Brasil volte a ter acesso ao mercado europeu para todas as carnes. Vamos nos empenhar para retirar esse embargo, seja para carne suína, de frango ou bovina. Estou em diálogo com o ministro André de Paula e vamos trabalhar para isso'.
✨ A União Europeia retirou o Brasil da lista por falta de garantias sobre o uso de antimicrobianos na produção animal, e a decisão entra em vigor em 3 de setembro.
Segundo informações, no ano passado, as vendas dos produtos afetados pelo embargo alcançaram quase US$ 2 bilhões. O governo agora enfrenta um desafio que requer negociações técnicas complexas, mas que já chama a atenção de altos escalões políticos em Brasília.
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, também esteve em contato com o Comissário de Comércio da UE, Maros Sefcovic, em Paris. Durante essa conversa, Vieira enfatizou a importância de manter 'canais de diálogo ágeis' para tratar de questões como esta.
As negociações tiveram início em 12 de maio, após o comitê europeu informar sobre a retirada do Brasil da lista. Desde então, houve intensas trocas de informações entre o Ministério da Agricultura brasileiro e as autoridades sanitárias europeias. Técnios em Brasília percebem que essa ação da Europa pode ser uma resposta ao recente acordo com o Mercosul.
Entretanto, admite-se que o Brasil demorou a apresentar os protocolos exigidos pela UE para garantir que os antimicrobianos não fossem utilizados nas cadeias produtivas. Embora o Brasil tenha enviado um protocolo privado para exportação de bovinos livres de antimicrobianos, especialistas acreditam que essa ação pode não ser suficiente.
"A medida é vista como um sinal de 'desespero' da Pasta, que atribui a certificação de não uso de medicamentos a uma associação privada.
Recentemente, novas informações foram remetidas a Bruxelas, e agora o Brasil aguarda uma avaliação da UE para entender se serão necessários novos esclarecimentos. No entanto, representantes de setores produtivos alertam que o embargo pode ser considerado 'irreversível'.
Para frigoríficos brasileiros, uma alternativa para continuar as exportações de carne bovina seria fazê-las através de plantas na Argentina e Uruguai. O Brasil é o único país do Mercosul a ser afetado pelo embargo sanitário que impacta as exportações.
O Ministério da Agricultura não se manifestou sobre o assunto ao ser procurado.
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