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Agronegócio
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Restrições ao uso de antimicrobianos tensionam setor agropecuário

Conflito entre frigoríficos e criadores de gado aumenta com novas exigências da UE

Acro Rodrigues17 de junho de 2026 às 18:40
Restrições ao uso de antimicrobianos tensionam setor agropecuário

O recente reforço nas restrições ao uso de antimicrobianos na pecuária do Brasil gerou um embate entre frigoríficos e criadores de gado. Enquanto a indústria e o governo buscam implementar normas mais rigorosas para cumprir exigências da União Europeia, os produtores expressam preocupações sobre aumento de custos e possíveis perdas na produtividade.

Francisco Manzi, diretor-técnico da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), argumenta que as restrições deveriam ser aplicadas apenas aos animais destinados à exportação para a Europa, não abrangendo todo o rebanho nacional. 'O Brasil, sendo o maior exportador de carne bovina do mundo, já atende a mais de 150 países e está disposto a cumprir as exigências de qualquer consumidor', destaca.

De acordo com Manzi, os pecuaristas já estão alinhados com as normativas exigidas pela União Europeia, que são cumpridas através do Sistema Brasileiro de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos (Sisbov) e do Codex Alimentarius, um programa da ONU que define padrões internacionais de segurança alimentar.

A União Europeia planeja retirar o Brasil da lista de países autorizados a exportar produtos de origem animal, em função do uso de antimicrobianos.

Manzi expressa preocupação de que a exigência europeia leve a um aumento de custos que será repassado a toda a produção nacional. Ele esclarece que muitos antimicrobianos são utilizados apenas para tratar infecções em animais específicos, enquanto outros são utilizados na nutrição animal, respeitando os limites impostos pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), que já são seguidos pela indústria e pelos produtores.

O diretor-técnico também mencionou a possibilidade de uma segregação clara entre os animais destinados à Europa e aqueles que vão para outros mercados, mesmo com 70% da produção voltada para o consumo interno. No estado de Mato Grosso, apenas 460 dos 129 mil produtores operam sob o Sisbov, que permite uma identificação detalhada sobre os produtos utilizados e o período de carência antes do abate.

Além disso, Manzi alertou que se os custos para os produtores habilitados aumentarem, inevitavelmente, seus preços também subirão. O governo brasileiro está ativo na tentativa de reverter a decisão da União Europeia, que poderá impactar negativamente o setor produtivo a partir do dia 3 de setembro.

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