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Semeadura de trigo no Rio Grande do Sul enfrenta desafios em 2026

Expectativa de redução da área plantada devido a custos e clima

Gabriel Azevedo28 de maio de 2026 às 17:45
Semeadura de trigo no Rio Grande do Sul enfrenta desafios em 2026

A semeadura do trigo no Rio Grande do Sul dá início à sua temporada com a abertura do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC), mas enfrenta a perspectiva de uma redução considerável na área cultivada em 2026, segundo o Informativo Conjuntural da Emater/RS-Ascar, divulgado hoje.

Expectativa de retração de até 30% na área plantada.

O clima seco proporcionou um bom início para o manejo do solo e a preparação das áreas, porém, a escassez de umidade tem dificultado a semeadura nas primeiras etapas, levando muitos agricultores a aguardarem chuvas regulares para garantir uma germinação saudável.

Entre os fatores que influenciam essa expectativa de diminuição na área plantada estão os altos custos de produção, a baixa atratividade do trigo no mercado e os riscos associados ao fenômeno El Niño, que pode impactar negativamente as safras durante o inverno e a primavera.

Apesar dos desafios, alguns produtores estão começando a semear em áreas que não dependem de financiamento ou seguro rural, buscando antecipar a floração e o enchimento dos grãos antes das intensas chuvas da primavera.

Na safra anterior, o Rio Grande do Sul cultivou aproximadamente 1,16 milhão de hectares de trigo, com uma produtividade média de 2.968 quilos por hectare, totalizando 3,45 milhões de toneladas, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

Avanços regionais e dificuldades

Na Fronteira Oeste, a semeadura avança devagar, mesmo com a colheita da soja já finalizada. Em localidades como Manoel Viana, os produtores estão prontos, mas aguardam chuvas devido à umidade do solo abaixo do ideal.

Em São Borja, o desinteresse por plantar trigo tem aumentado, devido às condições climáticas adversas e custos altos. O boletim também informa que a expectativa de um El Niño intenso e a crescente dificuldade com a classificação dos grãos têm levado muitos agricultores a optarem por culturas alternativas, como canola, carinata, linhaça e painço.

Enquanto isso, na Campanha, os produtores continuam se aproveitando do tempo seco para realizar a preparação do solo, que geralmente ocorre a partir do fim de junho.

Na Serra, a semeadura começa entre o final de junho e início de julho, com uma expectativa de redução de aproximadamente 30% na área cultivada. Na região de Frederico Westphalen, a expectativa é de queda de cerca de 20% em comparação ao ano passado.

Em Ijuí, cerca de 7% da área planejada já foi semeada, mas ainda não se observa germinação, com os esforços focados na dessecação de plantas espontâneas.

Em Santa Rosa, 6% da área prevista já começou a ser cultivada, concentrando-se em lavouras que não têm vínculo com financiamentos ou seguros, e a antecipação do plantio é estimulada pela expectativa de um inverno com menos geadas.

Tendências e novas abordagens

Além disso, o setor energético está incentivando a produção de etanol, impactando ainda mais a decisão dos agricultores sobre as culturas a serem implantadas, aumentando o uso de sementes não fiscalizadas e recursos próprios.

Na região de Soledade, as estimativas apontam para uma redução superior a 30% na área cultivada, com cerca de 7% da meta já semeada até o momento.

Contexto

Altos custos de produção e previsões climáticas desfavoráveis apresentam um cenário desafiador para a semeadura do trigo, levando agricultores a considerar novas opções de cultivo.

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