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El Niño deve afetar clima e agricultura no Brasil até 2027

Fenômeno pode trazer secas e aumento de temperaturas em várias regiões.

Fernanda Lima24 de junho de 2026 às 09:10
El Niño deve afetar clima e agricultura no Brasil até 2027

Um relatório técnico desenvolvido por diversas instituições, incluindo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), indicou recentemente que a probabilidade do fenômeno El Niño perdurar ao longo do segundo semestre de 2026 é superior a 95%. Existe a possibilidade de que suas consequências se estendam até o início de 2027.

As previsões sugerem um El Niño forte, afetando o clima e causando alterações nos padrões de precipitações.

De acordo com o chefe da Divisão de Previsão do Tempo e Clima do INPE, Enver Ramirez, mudanças sutis na interação entre os oceanos e a atmosfera podem intensificar os efeitos do fenômeno. Embora a tendência a um episódio forte esteja se confirmando, as atualizações sobre a situação climática continuarão nos próximos meses.

Impactos Esperados nas Regiões do Brasil

O documento aponta que a tendência é de diminuição das chuvas, especialmente de junho a março. Isso pode resultar em secas mais longas, temperaturas elevadas e um aumento no risco de incêndios florestais, particularmente na Amazônia Legal. Históricos do forte El Niño de 2015 revelam um aumento de 36% nas ocorrências de incêndios em comparação à média dos doze anos anteriores.

Outras consequências esperadas incluem a diminuição do nível dos rios na Amazônia, impactando a navegação, a coleta de água para comunidades ribeirinhas, a pesca e a produção agrícola. O relatório menciona que as condições no Oceano Atlântico Tropical podem atenuar alguns desses efeitos na parte leste da Amazônia, mas essa afirmação ainda precisa de confirmação.

Análise Regional

No Nordeste, a expectativa é de menos chuvas, especialmente no norte da região, o que pode aumentar as temperaturas e agravar a crise hídrica. Isso pode impactar negativamente a agricultura e a disponibilidade de água.

No Centro-Oeste, embora a relação do El Niño com o clima seja menos evidente, o aumento das temperaturas é uma expectativa, particularmente na primavera e verão, elevando o risco de queimadas. Contudo, Mato Grosso do Sul e partes de Goiás podem experimentar chuvas mais regulares durante o verão, o que beneficiaria a agricultura.

No Sudeste, os efeitos podem ser interferidos por outros sistemas atmosféricos, mas em geral, pode-se esperar temperaturas médias mais altas e variações na precipitação, com algumas áreas enfrentando estiagens prolongadas. O Sul do Brasil, por sua vez, provavelmente vivenciará chuvas acima da média, aumentando o risco de tempestades e inundações, além de temperaturas elevadas.

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