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Exportações de carne bovina do Brasil à China sofrem ajustes na produção

Frigoríficos antecipam cortes em abates devido à cota prestes a se esgotar

Camila Souza Ramos05 de junho de 2026 às 05:15
Exportações de carne bovina do Brasil à China sofrem ajustes na produção

As exportações de carne bovina brasileira para a China atingiram 157,6 mil toneladas em maio, provocando alterações na programação de abates de diversos frigoríficos no início de junho.

Com o aumento significativo dos embarques, esperado desde meses anteriores, a possibilidade de esgotar a cota de 1,1 milhão de toneladas estabelecida para 2026 se tornou mais real, levando algumas plantas a reduzir ou até pausar a produção direcionada ao mercado chinês.

Frigoríficos já estão suspendendo abates para atender à demanda crescente da China.

Dentre as 157,6 mil toneladas embarcadas em maio, 153,9 mil correspondem a carne in natura, que conta para a cota, enquanto o restante é composto por miúdos e cortes industrializados. Frigoríficos analisam suas operações, com alguns encerrando a produção destinada à China até o final da semana.

Fontes do setor indicam que as plantas estão ajustando suas atividades, algumas oferecendo férias coletivas devido à incerteza no mercado e outras limitando o trabalho nos finais de semana. Um profissional do setor expressou preocupações sobre a queda nas margens de lucro, afirmando que a situação atual não é sustentável, forçando uma avaliação das operações.

Fernando Iglesias, analista da Safras & Mercado, apontou que a elevação na ociosidade da indústria pode resultar em uma diminuição no preço do boi no mercado brasileiro. Ele enfatizou que as indústrias estão revisando suas estratégias, pois já se aproxima o limite de preenchimento da cota para exportação à China.

Contexto

A China recebeu 612,9 mil toneladas de carne bovina brasileira entre janeiro e abril de 2026, o que representa um avanço significativo nas exportações. O governo chinês deve divulgar novos dados sobre as cotas que podem impactar as futuras remessas.

Os frigoríficos que estão localizados mais longe dos portos devem interromper os abates direcionados à China antes de 20 de junho. O foco da produção deverá se deslocar para outras regiões, como Chile e Estados Unidos.

As estimativas sugere que resta uma margem de 100 mil toneladas a serem enviadas dentro da cota, sendo possível que parte das cargas ainda em trânsito seja contabilizada nos próximos dias. No entanto, outros executivos acreditam que ainda existe espaço para embarques contínuos até o final de julho.

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