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Vendas de máquinas agrícolas caem 22,2% em abril de 2026

Retrações no segmento refletem desafios econômicos para o setor.

João Pereira27 de maio de 2026 às 15:45
Vendas de máquinas agrícolas caem 22,2% em abril de 2026

Em abril de 2026, a receita líquida das vendas de máquinas e implementos agrícolas totalizou R$ 4,21 bilhões, uma diminuição de 22,2% em relação ao mesmo período de 2025, revelou a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq).

No acumulado do ano, a queda é de 17,9%, alcançando R$ 17,07 bilhões. Além disso, as exportações de máquinas agrícolas em abril somaram US$ 160,1 milhões, representando um aumento de 18,8% em comparação ao mesmo mês do ano passado, enquanto no total de janeiro a abril, as exportações chegaram a US$ 583 milhões, 20,1% acima do que foi registrado no ano anterior.

Dados de Importação

As importações no mês de abril atingiram US$ 106,76 milhões, o que equivale a uma queda de 19,3% em relação ao mesmo mês de 2025. No total do ano até agora, as importações estão em US$ 390,95 milhões, uma redução de 9,6%.

Vendas em Queda

O número de tratores vendidos para consumidores finais em abril foi de 3.639 unidades, representando uma queda de 4,2% quando comparado ao mesmo mês do ano anterior. Já as vendas de colheitadeiras tiveram uma redução acentuada de 33,6%, caindo de 265 para 176 unidades.

As exportações de tratores, no entanto, mostraram um desempenho positivo, com um aumento de 54,2%, passando de 321 unidades em abril de 2025 para 495 em abril de 2026. As colheitadeiras também registraram aumento nas exportações, crescendo 50%, de 18 para 27 unidades.

Desafios e Previsões

Pedro Estêvão Bastos, presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Implementos Agrícolas da Abimaq, destacou que a desvalorização do dólar e os altos juros são os principais obstáculos para os produtores. Ele afirmou que "o agricultor com margem apertada prioriza o custeio em vez do investimento".

Bastos também mencionou que o conflito no Oriente Médio impacta os custos de diesel e fertilizantes, agravando a situação de rentabilidade dos agricultores. A alta inadimplência no setor gera restrições adicionais ao crédito, e ele acredita que a renegociação de dívidas em discussão no Senado pode oferecer algum alívio.

No início de abril, Bastos previu uma queda de 8% nas vendas para 2026, mas com a situação atual, ele alerta que o recuo deve ser maior. "Estamos aguardando o Plano Safra para revisar nossas previsões, mas o cenário continua negativo", concluiu.

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