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Café brasileiro enfrenta queda nas exportações em março de 2026

Dados do Cecafé mostram um cenário desafiador para a cafeicultura.

Carlos Silva13 de abril de 2026 às 17:15
Café brasileiro enfrenta queda nas exportações em março de 2026

As exportações de café do Brasil em março de 2026 totalizaram 3,04 milhões de sacas de 60kg, indicando uma redução de 7,8% em relação ao mesmo mês do ano anterior.

Em termos de receita, o setor enfrentou uma queda de 15,1%, alcançando um faturamento de US$ 1,125 bilhão, conforme o relatório mensal do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé).

Desempenho no Acumulado

No acumulado dos primeiros nove meses da safra 2025/26, as exportações de café somaram 29,09 milhões de sacas, uma redução expressiva de 21,2% em comparação com o mesmo período da safra anterior.

No entanto, em termos de receita, houve um leve aumento de 2,9%, resultando em US$ 11,43 bilhões.

Análise do Cenário

No primeiro trimestre de 2026, o Brasil exportou 8,46 milhões de sacas de café, o que representa uma queda de 21,2% frente ao mesmo período de 2025. A receita desse período também caiu, totalizando US$ 3,37 bilhões, uma redução de 13,6%.

O presidente do Cecafé, Márcio Ferreira, comentou que esse desempenho fraco se deve ao período de entressafra da cafeicultura e aos desafios financeiros enfrentados pelos produtores.

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Estamos no fim de uma safra muito pequena, comparada com a média histórica, principalmente no arábica. Isso afeta as exportações e seguirá afetando até a entrada da próxima safra.

Colheita do café arábica inicia em maio; Conab projeta aumento na nova safra.

As colheitas do conilon e robusta têm início em abril, enquanto a do café arábica começará em maio. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) prevê um aumento de 17,1% na produção, totalizando 66,19 milhões de sacas, com destaque para o arábica que pode crescer 23,3%.

Desafios Logísticos e Expectativas

Ferreira ainda ressaltou que problemas geopolíticos e logísticos têm impactado o setor. A infraestrutura deficiente nos portos impede um fluxo ágil de exportação, resultando na retenção de contêineres e perdas financeiras significativas.

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Estamos enfrentando prejuízos milionários devido à infraestrutura dos portos, que não evolui com o agronegócio.

Contudo, o presidente do Cecafé acredita em uma recuperação nas exportações com a próxima safra, citando uma produção mundial com excedente que beneficiará o Brasil.

Produção global prevê excedente de 10 milhões de sacas, onde o Brasil terá um papel fundamental.

Tipos de Café e Desempenho

Conforme os dados do primeiro trimestre, o café arábica representou 79,3% das exportações, totalizando 6,71 milhões de sacas, refletindo uma queda de 25,8% em relação ao ano anterior.

As exportações de café solúvel somaram 963.168 sacas, uma ligeira redução de 1,5%, enquanto os cafés canéforas apresentaram um crescimento de 11%, totalizando 780.911 sacas.

Importante destacar que os cafés de qualidade superior corresponderam a 19,1% das exportações no primeiro trimestre, embora esse volume tenha decrescido 42,7% em relação ao ano passado.

Logística de Exportação

O Porto de Santos foi responsável por 75,7% da totalidade das exportações, com 6,409 milhões de sacas, seguido pelo complexo portuário do Rio de Janeiro com 20,3% e o Porto de Paranaguá, que contribuiu com 1,3%.

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