Cultivares de soja: escolha estratégica para enfrentar desafio climático
Agricultores devem avaliar riscos e características das sementes em 2026

A seleção das cultivares de soja para a próxima safra já começou em várias regiões do Brasil. Este ano, essa escolha se mostra mais crítica, considerando a relação entre os altos custos de produção, os preços das commodities em queda e a previsão de 98% de chance de ocorrência do fenômeno El Niño no segundo semestre, conforme apontado pelo Centro de Previsão Climática dos Estados Unidos.
De acordo com Rafael Neubauer, representante comercial da Conceito Sementes, uma abordagem técnica robusta se torna imprescindível para os agricultores. "Não se pode analisar apenas o custo imediato. É crucial optar por materiais que se ajustem às condições locais, possuam um histórico sólido de produtividade e apresentem características que se alinhem ao tipo de solo e ao clima da região", aponta.
✨ A escolha das cultivares impacta diretamente os resultados da lavoura.
Entre os fatores que devem ser considerados, destacam-se o grupo de maturação da cultivar, o zoneamento agrícola, a textura do solo, o histórico da propriedade, e a resistência a doenças e nematoides, além de parâmetros de qualidade das sementes, como os índices de germinação e vigor.
Elementos Cruciais na Seleção das Cultivares
O grupo de maturação afeta diretamente o ciclo de crescimento da soja, variando entre cultivares mais precoces, que levam cerca de 100 dias até a colheita, e as mais tardias, que podem alcançar 125 dias. A eficácia dessa escolha dependerá de fatores como altitude, volume de chuvas e o planejamento da segunda safra.
O zoneamento agrícola serve como um guia técnico para determinar quais variedades são mais apropriadas para cada região, assegurando maior estabilidade na produção e afetando também o acesso ao seguro rural.
A textura do solo desempenha um papel importante nesse processo. Em solos argilosos, com maior retenção de umidade, é viável escolher cultivares com ciclos mais curtos, enquanto em solos arenosos, que são mais vulneráveis à falta de água, cultivares de ciclos médio a tardio podem proporcionar resultados mais seguros, especialmente em anos com variações climáticas.
Além disso, o histórico da área cultivada deve ser avaliado. Fatores como a presença de nematoides, doença ou períodos de estresse hídrico devem ser considerados na escolha da cultivar e no manejo das sementes. Neubauer enfatiza: "É essencial verificar se a cultivar foi realmente desenvolvida para a realidade local. Uma variedade pode apresentar bons resultados em uma área, mas ser inconsistente em outras, o que é crucial para resultados duradouros."
A qualidade das sementes também é um fator primordial em um cenário onde a oferta é limitada. A excessiva umidade nos campos de produção de sementes diminuiu a disponibilidade de lotes com alto padrão fisiológico, elevando as preocupações com a germinação e o vigor das mesmas. "Embora a legislação brasileira estabeleça um mínimo de 80% de germinação para sementes certificadas, buscamos trabalhar com índices superiores e garantir um alto padrão de vigor. A semente é a base da produtividade — investir em fertilidade e tecnologias de manejo não compensa se a safra começa com uma cultivar inadequada ou de baixa qualidade", conclui Neubauer.
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