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agricultura
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El Niño pode impulsionar produção de cana-de-açúcar no Brasil

Fenômeno climático traz chuvas que beneficiam canaviais, mas traz riscos.

Gabriel Rodrigues19 de julho de 2026 às 10:15
El Niño pode impulsionar produção de cana-de-açúcar no Brasil

A confirmação do El Niño, com potencial de intensificação até o final de 2025, projeta um quadro, em grande parte, favorável à produção de cana-de-açúcar no Centro-Sul do Brasil. O fenômeno deve (re)introduzir chuvas mais frequentes na região, o que promete aumentar a produtividade nos canaviais, especialmente na safra de 2027.

Entretanto, a quantidade excessiva de precipitação pode criar dificuldades para a colheita e comprometer a moagem nas usinas. Na última semana, a consultoria Hedgepoint manteve sua projeção para a safra brasileira de cana em 635 milhões de toneladas para o Centro-Sul.

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As chuvas recentes atrasam a moagem, mas não comprometem o potencial produtivo da cultura. Pelo contrário, podem favorecer o desenvolvimento da cana de fim de safra

Lívea Coda, coordenadora da Hedgepoint.

Impacto do El Niño na produção

O professor Fabío Marin, do Departamento de Engenharia de Biossistemas da Esalq/USP, comenta que os anos de El Niño tendem a ser benéficos para a cana na principal região produtora do país. De acordo com ele, os efeitos mais intensos do fenômeno devem ocorrer a partir de setembro, influenciando positivamente a circulação atmosférica sobre o Brasil.

As chuvas esperadas para o segundo semestre podem aprimorar a disponibilidade de água no solo e estimular a rebrota dos canaviais.

Contexto Global

Embora o Brasil se beneficie de uma produção robusta, o El Niño é uma ameaça a grandes produtores de açúcar como Tailândia e Índia, onde a seca pode resultar em diminuição da oferta de açúcar.

Com o aumento da umidade, as canas já colhidas estão apresentando desenvolvimento promissor. Marin observa otimismo para a safra de 2027, embora os riscos para a operação das usinas, devido ao aumento das chuvas, sejam uma preocupação.

Um aumento significativo nas chuvas poderá restringir o avanço do ATR (Açúcar Total Recuperável), que mede a concentração de sacarose, resultando em um teor de açúcar próximo à média, sem atingir os níveis habituais de agosto e setembro. Ainda assim, uma maior produtividade deverá compensar em parte essa redução, mantendo a produção de açúcar por hectare em níveis elevados.

No cenário global, a Hedgepoint aponta para um pequeno déficit de 600 mil toneladas de açúcar devido a previsões desfavoráveis em outros grandes produtores. Isso pode elevar os preços internacionais, mesmo com a robustez da safra brasileira.

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Estamos passando de um cenário com boas produções tanto no Hemisfério Norte quanto no Brasil em 2025/26 para uma previsão pior na produção do Hemisfério Norte. Esperamos um mercado com tendência de alta nos preços

Lívea Coda.

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