El Niño pode reduzir produção agrícola no Brasil até 10%
Projeções indicam impactos severos nas culturas de soja e milho

De acordo com a análise realizada por especialistas da Fundação Getulio Vargas (FGV), um El Niño forte em 2026 pode causar uma queda significativa de 7% a 10% na produção de culturas essenciais como soja, milho, café e laranja no Brasil. A apresentação dessas estimativas ocorreu em uma mesa redonda em São Paulo, promovida pelo Instituto Clima e Sociedade (iCS).
Efeitos do Fenômeno Climático
Eduardo Assad, professor da FGV e ex-secretário do Ministério do Meio Ambiente, ressaltou que o fenômeno climatológico ainda está sendo monitorado. A confirmação de um El Niño muito forte deverá ocorrer até o fim de julho. Atuais observações indicam que o evento climático já é classificado como forte.
Assad explicou que um El Niño muito forte é caracterizado por um aumento de temperatura média de 2 graus Celsius ou mais, enquanto um El Niño forte apresenta uma elevação entre 1 e 1,5 grau Celsius. Os efeitos adversos desse fenômeno devem se intensificar a partir de setembro e diminuir entre janeiro e fevereiro do ano seguinte, afetando os padrões de chuvas e aumentando a irregularidade das precipitações.
✨ Projeções indicam que as mudanças climáticas podem aumentar a severidade do fenômeno El Niño.
Contexto e Desafios
Estudos da FGV apontam que 72% dos municípios brasileiros não possuem planos para prevenção de enchentes e 78% não têm medidas para secas, revelando uma falha estrutural em políticas de prevenção climática.
O professor Guilherme Bastos, também da FGV e ex-secretário do Ministério da Agricultura, enfatizou que há uma falta de colaboração entre estados e municípios em produzir mapas de risco e planos adequados para mitigar os efeitos de secas e enchentes. Ele observa que pequenos e médios produtores, em particular, enfrentam mais desafios diante do El Niño, ao contrário de grandes agricultores que estão mais preparados.
Bastos propõe a utilização de seguros paramétricos e mecanismos estaduais para ajudar aqueles que não têm acesso ao Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro) ou seguros privados. A importância de um suporte financeiro mais robusto para essas comunidades vulneráveis foi sublinhada.
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