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agricultura
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Estudo revela táticas do ataque de fungo em laranjas e limões

Pesquisa da Unicamp e USP proporciona novos insights sobre o mofo azul.

João Pereira31 de maio de 2026 às 09:10
Estudo revela táticas do ataque de fungo em laranjas e limões

Cientistas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e da Universidade de São Paulo (USP) desvendaram pela primeira vez o comportamento do fungo Penicillium italicum, responsável pelo mofo azul em citrinos, revelando como ele neutraliza as defesas naturais das frutas e promove perdas na colheita.

A pesquisa foi reconhecida como o melhor artigo científico de 2025 pela revista Journal of Agricultural and Food Chemistry.

De acordo com a professora Taícia Pacheco Fill, da Unicamp, embora o Brasil seja o maior produtor de laranja e líder na exportação de suco, enfrenta perdas significativas pós-colheita devido a fungos. Ela destaca que o mofo azul é o segundo mais grave, responsável por até 90% das perdas em algumas regiões tropicais.

Compreendendo o ataque do patógeno

Os pesquisadores analisaram como o P. italicum utiliza moléculas químicas para desativar tanto as defesas das frutas quanto os microrganismos benéficos que habitam suas superfícies. Ao mapear essas interações, a equipe espera desenvolver métodos de controle mais eficazes e menos dependentes de fungicidas sintéticos, que apresentam resistência crescente e causam preocupações ambientais.

O estudo é um passo importante para a criação de inibidores que possam desarmar o fungo, minimizando os danos às frutas.

Utilizando técnicas avançadas, como a metabolômica, os cientistas identificaram compostos essenciais para o desenvolvimento da infecção. Resultados indicam que o fungo cresce de forma limitada na ausência dessas substâncias, abrindo caminho para novas táticas de combate.

Impacto do mofo na agricultura

A rápida propagação do fungo é facilitada pelo processo de 'nesting', que causa até 50% das perdas na cultura na China, país que é o terceiro maior produtor de laranja do mundo. O estudo observou que o P. italicum ataca a casca da fruta por pequenas lesões, onde utiliza enzimas para desmantelar as paredes celulares enquanto a fruta tenta se defender com compostos bioativos.

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O patógeno enfrenta não apenas as defesas da fruta, mas também tenta neutralizar os microrganismos benéficos da casca. A luta se torna complexa, pois o fungo consegue dominar tanto as defesas da fruta quanto as interações microbianas da superfície.”

Taícia Pacheco Fill.

Os cientistas afirmam que a identificação das moléculas do patógeno é crucial para o desenvolvimento de novos métodos de controle específicos, visando uma agricultura mais sustentável e menos agressiva ao meio ambiente.

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