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agricultura
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Rio Grande do Sul colhe recorde de soja, mas vendas são baixas

Produtores enfrentam incertezas e dificuldade de comercialização

Carlos Silva03 de junho de 2026 às 11:46
Rio Grande do Sul colhe recorde de soja, mas vendas são baixas

Apesar das ótimas previsões para a safra de soja no Rio Grande do Sul, com uma estimativa de 21 milhões de toneladas — o que representa um aumento de 40% em relação ao ciclo anterior —, os agricultores estão enfrentando sérias dificuldades na venda do produto. De acordo com Antônio Sartori, diretor da Brasoja, apenas 35% da produção foi comercializada, contrastando com a média nacional que já excede 65%.

Desafios do mercado gaúcho de soja

Durante uma entrevista à Rádio Guaíba em Porto Alegre, Sartori ressaltou que o grande problema não é a falta de soja, mas a incerteza que permeia o setor. "Os produtores possuem a soja, mas os preços estão baixos e eles não sabem quanto irão gastar com insumos, como fertilizantes, nem se conseguirão adquiri-los a um preço acessível", explicou.

A incerteza e os altos custos estão paralisando a venda da soja no estado.

Sartori ainda destacou que os custos dos combustíveis aumentaram consideravelmente desde fevereiro e que a valorização da moeda, próxima a R$ 5 por dólar, tem gerado um cenário desfavorável. Ele acredita que as chances de alta na taxa de câmbio são maiores, levando os produtores a hesitarem em vender em busca de melhores preços.

Análise do fenômeno El Niño

Para apoiar as decisões do setor, Sartori e sua equipe viajaram ao Peru em busca de informações sobre as condições climáticas. Eles obtiveram do ENFEN — Estudio Nacional del Fenómeno El Niño — atualizações sobre a previsão do fenômeno, indicando que o El Niño costeiro pode se estender até fevereiro de 2027 e que também há possibilidade de desenvolvimento no Pacífico Equatorial Central.

Informe do ENFEN

Relatório divulgado em 29 de maio de 2026 aponta que a temporada de chuvas no Peru deve ser monitorada de setembro de 2026 a abril de 2027, com recomendações de preparação para possíveis desastres.

Sartori criticou a desinformação relacionada ao clima, que tem exacerbado a apatia dos produtores. Circularam rumores sobre um El Niño devastador similar ao de 1870 — um evento que, segundo Sartori, não pode ser comparado com o cenário atual devido às melhorias na infraestrutura e na produção agrícola contemporânea.

Ele tem se esforçado para disseminar dados precisos, compartilhando relatórios oficiais e acumulando uma significativa interação nas redes sociais. A próxima apresentação das informações acontecerá durante uma reunião da Federasul, onde o material será disponibilizado à imprensa e outros interessados.

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