Transporte irregular de bovinos gera alerta em Novo Repartimento (PA)
Médico-veterinário destaca riscos para o bem-estar animal

Um vídeo viral nas redes sociais, que mostra vacas sendo transportadas em um ônibus escolar em Novo Repartimento, Pará, gerou preocupação entre especialistas sobre o cuidado com o bem-estar animal. Everton Andrade, médico-veterinário da JBS/Friboi, alerta que essa forma de transporte é inadequada e pode resultar em sérios riscos à integridade dos animais.
✨ O transporte de bovinos deve ser feito em veículos apropriados, conforme regulamentações específicas.
Andrade explica que, apesar de parecer uma situação divertida para alguns, o transporte improvisado provoca riscos significativos, como escorregões e fraturas nos animais. "Os bovinos precisam de caminhões boiadeiros especializados, que garantam sua segurança e bem-estar durante o trajeto", enfatiza.
Erros comuns no transporte de bovinos
O veterinário aponta que falhas frequentes no transporte incluem excesso de lotação, uso de veículos inadequados e a mistura de diferentes categorias de animais, além de práticas de direção perigosas que podem resultar em acidentes. "Esses fatores não apenas causam sofrimento aos animais, mas também podem levar a prejuízos significativos para os produtores", ressalta.
Diretrizes para um transporte seguro
Para garantir o transporte adequado, Andrade recomenda que sejam seguidas as normas estabelecidas pela Resolução Contran nº 791/2020. Isso inclui o uso de caminhões projetados especificamente para o transporte de bovinos, que apresentem medidas de segurança como pisos antiderrapantes e estrutura resistente.
Além disso, o planejamento deve ocorrer antes do embarque, incluindo a avaliação da saúde dos animais e o cálculo adequado da lotação do veículo. Durante a viagem, é essencial evitar manobras bruscas e fazer paradas regulares para monitorar os bovinos.
Impactos na qualidade da carne
Andrade também destaca que o estresse durante o transporte pode impactar negativamente na qualidade da carne dos animais. Alterações fisiológicas provocadas pelo estresse, como a liberação de hormônios e a degradação de glicogênio, podem resultar em alterações na coloração e na durabilidade da carne, além de provocar a rejeição de animais feridos nos frigoríficos.
O veterinário conclui que uma abordagem que priorize o bem-estar animal não é apenas uma questão ética, mas também uma estratégia econômica que beneficia toda a cadeia produtiva, desde o produtor até o consumidor final.
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