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Agronegócio
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Governo estuda proibição de antimicrobianos na pecuária brasileira

Medida pode facilitar negociações com a União Europeia sobre exportações

Gabriel Rodrigues14 de julho de 2026 às 05:10
Governo estuda proibição de antimicrobianos na pecuária brasileira

Diante da pressão da indústria frigorífica, o governo federal está avaliando a proibição do uso de antimicrobianos na pecuária nacional. Essa proposta é vista em Brasília como uma medida estratégica para facilitar a reintegração do Brasil na lista de países autorizados a exportar carne para a União Europeia.

Recentemente, Joesley Batista, proprietário da JBS, solicitou pessoalmente ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva a implementação dessa proibição. O assunto foi discutido com ministros e assessores na residência oficial, o Palácio da Alvorada.

A proposta de proibição pode abrir portas para um período de transição com a UE, permitindo ao Brasil implementar controles eficazes sobre o uso de antimicrobianos na produção pecuária.

Atualmente, não há definição sobre a proibição, mas o governo está avaliando os impactos potenciais na balança comercial e nos preços das carnes no Brasil. Pecuaristas alertam sobre o aumento dos custos de produção se a proibição for implementada.

Em maio, a UE excluiu o Brasil da lista de países aptos a exportar produtos de origem animal, uma decisão que entrou em vigor em setembro. O governo expressou surpresa, mas já estava ciente das exigências desde 2023.

Antimicrobianos são usados na medicina veterinária e como melhoradores de desempenho alimentar. Em discussões com a Comissão Europeia, Lula buscou estabelecer um mecanismo de diálogo para abordar essas preocupações, mas sem sucesso significativo até o momento.

Contexto

A proposta de proibição é parte de uma longa negociação com a UE, que pode afetar significativamente a cadeia produtiva de carne bovina, demandando mudanças radicais nos processos de criação e abate dos animais.

Os especialistas estimam que a proibição da monensina, um antimicrobiano crucial, pode gerar custos adicionais de R$ 2 bilhões à cadeia produtiva, considerando os investimentos necessários para adaptar a alimentação de cerca de 20 milhões de bovinos.

Pecuaristas expressaram preocupações sobre como essa proibição poderia afetar não apenas o mercado europeu, mas também as exportações para a China, que representa a maior parte das vendas de carne bovina brasileira.

"

É inadmissível que exigências comerciais de um mercado específico sejam transformadas em obrigações para toda a pecuária brasileira

Nota de 14 entidades de criadores.

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