Agronegócio brasileiro enfrenta volatilidade com novos desafios
Cenário incerto exige adaptação e diversificação no setor agrícola.

O agronegócio brasileiro se prepara para enfrentar um cenário cheio de incertezas, com mudanças no comércio exterior, impactos climáticos e uma maior seletividade nas linhas de crédito. A análise é de Otávio Augusto Lopes, sócio-líder de Agronegócio da Ernst & Young para a América Latina.
Durante uma entrevista ao CNN Agro News, Lopes enfatizou que o aumento das tarifas comerciais e as instabilidades nas relações internacionais devem ser encarados como características de um novo ambiente de negócios, o que demanda que as empresas do setor adotem novas estratégias.
"A primeira coisa é a questão de concentração de mercado. É importante procurar novos destinos para os produtos brasileiros
O executivo ressaltou que, além da diversificação de destinos, o setor precisa aprimorar suas estruturas comerciais para se adaptar a diferentes regiões e responder a mudanças nas tarifas. Ele alertou para a importância de configurar um novo modelo de negócios que atenda mercados diversos.
✨ O fenômeno El Niño pode trazer riscos e oportunidades diferentes para as várias regiões produtoras do Brasil.
Lopes também destacou que o fenômeno El Niño pode ter efeitos desiguais, resultando em excessos de chuva em áreas como o Rio Grande do Sul e secas no Centro-Oeste, o que pode exigir ajustes nos métodos agrícolas e cronogramas de plantio.
Para mitigar a volatilidade, ele apontou a necessidade de instrumentos financeiros que ajudem os produtores a gerenciar as flutuações do mercado, como seguros agrícolas e mecanismos para proteção contra variações cambiais.
Lopes frisou que a governança é agora uma exigência fundamental no agronegócio, com uma demanda crescente por transparência e práticas sustentáveis guiando o comércio internacional.
Em relação ao endividamento do setor, Lopes comentou que o atual ambiente de juros elevados requer planejamento financeiro cuidadoso. Ele observou que o novo perfil do Plano Safra promoveu uma hibridização das linhas de crédito, priorizando investimentos que podem preparar o setor para os novos desafios.
Com as linhas de crédito se tornando mais rigorosas, ele enfatizou que as empresas que se adaptarem às novas exigências terão mais chances de aproveitarem as oportunidades disponíveis.
Por fim, Lopes indicou que a crescente pressão por critérios de governança e acesso ao capital pode impulsionar um movimento de concentração no setor, com maior incidência de fusões e aquisições.
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