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Agronegócio
3 min de leitura

Alerta no mercado de soja com acordos entre China e EUA

Disputa entre os dois países pode afetar prêmios de exportação

Tiago Abech27 de junho de 2026 às 01:00
Alerta no mercado de soja com acordos entre China e EUA

Recentes anúncios sobre compromissos de compra entre a China e os Estados Unidos acenderam um alerta na exportação de soja brasileira. A Casa Branca divulgou que a China se comprometeu a adquirir 12 milhões de toneladas de soja americana nos últimos meses de 2025 e prevê comprar pelo menos 25 milhões de toneladas anualmente entre 2026 e 2028.

Embora o Brasil continue competitivo no mercado chinês, essa nova dinâmica pode pressionar prêmios de exportação e afetar tanto o fluxo de embarques quanto a margem de lucro dos produtores. O risco não se traduz em uma perda imediata de mercado, mas sim em uma intensificação da concorrência entre as duas maiores origens da soja destinadas à China.

Desempenho das exportações brasileiras

O mercado chinês é crucial para o Brasil, já que, em maio de 2026, as exportações do agronegócio brasileiro totalizaram impressionantes US$ 16 bilhões, o que representa um aumento de 8,2% em relação ao mesmo mês do ano anterior, conforme dados do Ministério da Agricultura e Pecuária. A China ficou responsável por US$ 6,3 bilhões desse total, o que equivale a cerca de 40% das exportações agropecuárias brasileiras.

A soja em grãos foi o principal produto exportado, representando US$ 6,3 bilhões, a maior parte de 14,8 milhões de toneladas enviadas para o exterior.

Os números evidenciam que, mesmo diante de novos desafios, o Brasil mantém uma posição sólida na exportação de soja. Em 2025, o agronegócio brasileiro alcançou um recorde histórico de US$ 169,2 bilhões, com a China adquirindo US$ 55,3 bilhões, equivalente a 32,7% do total exportado pelo setor.

Mudanças nas importações chinesas

Em maio de 2026, as importações chinesas de soja dos EUA foram de 1,66 milhão de toneladas, representando um aumento de 1,8% em comparação ao mesmo mês do ano anterior. Em contrapartida, as compras da China de soja brasileira caíram para 9,96 milhões de toneladas, uma queda de 17,7%.

Entretanto, ao observar o resultado acumulado de janeiro a maio de 2026, as importações chinesas de soja brasileira foram de 22,68 milhões de toneladas, um aumento de 6,7%. As compras de soja americana, neste mesmo período, caíram 42,5%.

Consequências possíveis para os produtores

É provável que a competição entre Brasil e EUA impacte os prêmios de exportação, e isso pode ter efeitos diretos na formação de preços nos portos brasileiros. Se a China aumentar suas compras dos EUA para honrar seus compromissos, os compradores poderão explorar a concorrência entre as origens para alcançar melhores condições de negociação.

Embora essa pressão nos prêmios não signifique necessariamente uma queda imediata no preço pago ao produtor, ela exige que os agricultores adotem decisões comerciais mais cautelosas. A margem de lucro torna-se o aspecto central para o produtor rural, especialmente se houver pressão sobre os preços devido ao aumento da concorrência.

Ainda assim, o Brasil possui vantagens competitivas significativas, como uma produção em grande escala e uma relação sólida com os compradores chineses, além de uma robusta capacidade de embarque nos primeiros meses do ano. Portanto, embora exista um alerta comercial devido à reaproximação entre China e EUA, o Brasil continua a ser um jogador forte neste mercado.

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