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Agronegócio
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Brasil avança no processamento de soja e transforma mercado global

Mudança estrutural na cadeia de produção de soja promete novo cenário econômico

Tiago Abech17 de junho de 2026 às 11:40
Brasil avança no processamento de soja e transforma mercado global

O Brasil está se consolidando como um player chave na cadeia global da soja, com um aumento significativo na capacidade de processamento do grão, conforme analisado por Leonardo Brunelli, diretor da Samba Brazil Origin Commodities.

Em 2026, o país atingiu um volume recorde de processamento de soja, com a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (ABIOVE) revisando sua previsão de esmagamento para 62,2 milhões de toneladas na safra corrente. Este número implica na geração de 47,9 milhões de toneladas de farelo e 1,55 milhão de toneladas de óleo.

O farelo de soja viu um crescimento impressionante de 115,1% nas exportações de junho em relação ao ano anterior.

Enquanto o debate público se concentra nas exportações de grãos, os dados revelam um movimento semelhante em direção ao aumento do processamento interno. Essa mudança não só agrega maior valor, mas também expande a presença dos derivados brasileiros no mercado externo.

Contexto do Crescimento e Demanda Global

A expansão na capacidade de processamento está sendo considerada estrutural, superando limitações logísticas e tributárias. Empresas como Bunge, Cargill e Archer Daniels Midland Company têm aumentado suas operações, especialmente no Centro-Oeste e Corredor Norte, reforçando o Brasil como o maior processador de soja do hemisfério sul.

A demanda internacional tem sido um fator fundamental nessa transição, com a China se posicionando como o principal destino do farelo brasileiro, especialmente diante de tarifas elevadas sobre as importações americanas.

Regiões como o Oriente Médio estão aumentando a importação per capita de óleos vegetais, enquanto o Sudeste Asiático expande o consumo de proteína animal, elevando assim a procura por farelo destinado à ração.

Esse movimento de transição de exportador de grão para um exportador de produtos derivados com maior valor agregado sinaliza uma mudança significativa e silenciosa no agronegócio brasileiro, resultando em impactos diretos nas margens que não eram mais sustentadas apenas pelo grão bruto.

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