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economia
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Índia considera usar arroz para etanol, impactando mercado global

Estratégia pode afetar oferta e preços do arroz no mundo.

Gabriel Rodrigues28 de julho de 2026 às 02:30
Índia considera usar arroz para etanol, impactando mercado global

A proposta da Índia de destinar seus estoques públicos de arroz para a produção de etanol reacende um importante debate sobre os impactos que essa decisão pode ter na oferta e nos preços do mercado global.

De acordo com Sergio Cardoso, analista especializado na cadeia de arroz, a ação pode não estar focada na eficiência energética, mas sim na necessidade do governo indiano de gerenciar grandes volumes de arroz armazenados. Apesar do esforço do país em aumentar a incorporação de etanol nos combustíveis, o arroz não se destaca como uma opção eficiente em comparação com outras matérias-primas.

A cana-de-açúcar e o milho são alternativas mais produtivas e econômicas para a produção de etanol.

Enquanto a cana-de-açúcar se mostra mais vantajosa devido a sua produtividade e custos inferiores, o milho também oferece co-produtos significativos que são valiosos para a alimentação animal e lucratividade dos usinas. Nesse contexto, utilizar o arroz poderia ser uma solução para diminuir gastos de armazenamento e dar um fim econômico a lotes de produto que já não têm tanto valor de mercado.

Essa estratégia evita a liberação de grandes quantidades de arroz no mercado de uma só vez, o que costuma aumentar a oferta e pressionar os preços para baixo, afetando produtores e países exportadores. Em momentos críticos, os preços do arroz chegaram a ficar próximos ou até abaixo dos custos de produção em mercados importantes.

A conversão de parte dos excedentes em etanol pode ser uma solução mais prática do que simplesmente liquidar os estoques, pois ajuda a evitar excessos que poderiam prejudicar o mercado. O biocombustível, portanto, pode se tornar uma ferramenta eficaz para reduzir custos, organizar a oferta e melhorar a gestão dos estoques públicos na Índia.

Caso essa política avance, o mundo poderá testemunhar uma mudança significativa na maneira como o maior exportador de arroz gere seus excedentes. Como as decisões da Índia impactam diretamente o comércio internacional, alterações nessa abordagem serão monitoradas atentamente por todos os envolvidos na cadeia de suprimentos.

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