Calor extremo afeta agricultura, pecuária e traz consequências drásticas

O Brasil testemunhou uma perda alarmante de quase 15 milhões de toneladas de soja em uma única safra devido ao intenso calor. Enquanto isso, a vida animal e a segurança de trabalhadores rurais estão sendo severamente comprometidas por condições climáticas extremas.
Um relatório conjunto da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) e da Organização Meteorológica Mundial (OMM) classifica os desafios enfrentados pelo Brasil não como eventos isolados, mas como uma nova realidade acelerada por mudanças climáticas e decisões políticas ao longo das décadas. Aproximadamente 10% da safra brasileira de soja foi eliminada, uma queda que foi prevista pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que inicialmente esperava uma colheita recorde de 162 milhões de toneladas.
✨ Entre as perdas, houve uma redução de mais de 20% na produção de soja em São Paulo.
Cultura diversificada na agricultura brasileira, como milho, amendoim, batata e feijão, também sofreram com pragas e doenças ligadas ao calor excessivo. Agravando ainda mais a situação, a produção de gado leiteiro não se recupera após a normalização das temperaturas, comprometendo a viabilidade econômica dos rebanhos.
O Estado do Rio Grande do Sul foi um dos mais afetados, enfrentando chuvas intensas que resultaram em enchentes, tirando a vida de 183 pessoas e desalojando mais de 600 mil indivíduos. A devastação causou perdas significativas na produção agrícola, com 2 milhões de toneladas de soja sendo destruídas antes da colheita e uma redução de 3,6% na produtividade de arroz.
Estudos mostram que a probabilidade de eventos climáticos extremos, como chuvas intensas e secas, aumentou drasticamente devido às mudanças climáticas causadas pelo homem.
Além dos danos materiais e de vidas perdidas, o relatório destaca os efeitos sobre os trabalhadores rurais, que frequentemente enfrentam temperaturas perigosas e falta de proteção. Esses profissionais são fundamentais para a força de trabalho agrícola, mas pagam um alto preço por essas condições adversas.
✨ O relatório revela uma grave desconexão entre a política e as consequências climáticas na agricultura brasileira.
Os autores do estudo alertam que focar em uma única cultura ou evento climático ignora a complexidade dos riscos. O Brasil, entre 2023 e 2024, revelou a realidade dos impactos do calor extremo em toda a cadeia produtiva. A chave para enfrentar esses desafios está na regulamentação climática, algo que o setor agrícola, que detém poder significativo no Congresso, vem resistindo.
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Jornalista especializado em Agronegócio

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