Voltar
Agronegócio
2 min de leitura

Brasil enfrenta perdas devastadoras na safra de soja devido ao calor

Calor extremo afeta agricultura, pecuária e traz consequências drásticas

Tiago Abech23 de abril de 2026 às 08:30
Brasil enfrenta perdas devastadoras na safra de soja devido ao calor

O Brasil testemunhou uma perda alarmante de quase 15 milhões de toneladas de soja em uma única safra devido ao intenso calor. Enquanto isso, a vida animal e a segurança de trabalhadores rurais estão sendo severamente comprometidas por condições climáticas extremas.

Impactos do calor extremo na agricultura e pecuária

Um relatório conjunto da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) e da Organização Meteorológica Mundial (OMM) classifica os desafios enfrentados pelo Brasil não como eventos isolados, mas como uma nova realidade acelerada por mudanças climáticas e decisões políticas ao longo das décadas. Aproximadamente 10% da safra brasileira de soja foi eliminada, uma queda que foi prevista pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que inicialmente esperava uma colheita recorde de 162 milhões de toneladas.

Entre as perdas, houve uma redução de mais de 20% na produção de soja em São Paulo.

Cultura diversificada na agricultura brasileira, como milho, amendoim, batata e feijão, também sofreram com pragas e doenças ligadas ao calor excessivo. Agravando ainda mais a situação, a produção de gado leiteiro não se recupera após a normalização das temperaturas, comprometendo a viabilidade econômica dos rebanhos.

Desastres naturais e seus efeitos devastadores

O Estado do Rio Grande do Sul foi um dos mais afetados, enfrentando chuvas intensas que resultaram em enchentes, tirando a vida de 183 pessoas e desalojando mais de 600 mil indivíduos. A devastação causou perdas significativas na produção agrícola, com 2 milhões de toneladas de soja sendo destruídas antes da colheita e uma redução de 3,6% na produtividade de arroz.

Contexto de mudanças climáticas

Estudos mostram que a probabilidade de eventos climáticos extremos, como chuvas intensas e secas, aumentou drasticamente devido às mudanças climáticas causadas pelo homem.

Além dos danos materiais e de vidas perdidas, o relatório destaca os efeitos sobre os trabalhadores rurais, que frequentemente enfrentam temperaturas perigosas e falta de proteção. Esses profissionais são fundamentais para a força de trabalho agrícola, mas pagam um alto preço por essas condições adversas.

O relatório revela uma grave desconexão entre a política e as consequências climáticas na agricultura brasileira.

Os autores do estudo alertam que focar em uma única cultura ou evento climático ignora a complexidade dos riscos. O Brasil, entre 2023 e 2024, revelou a realidade dos impactos do calor extremo em toda a cadeia produtiva. A chave para enfrentar esses desafios está na regulamentação climática, algo que o setor agrícola, que detém poder significativo no Congresso, vem resistindo.

Não perca nenhuma notícia!

Receba as principais notícias e análises diretamente no seu email. Grátis e sem spam.

Ao assinar, você concorda com nossa política de privacidade.

Gostou desta notícia? Compartilhe!

Mais de Agronegócio