Voltar
Agronegócio
3 min de leitura

Casca de laranja pode gerar alimentos e cosméticos, aponta Unicamp

Estudo revela potencial de aproveitamento da casca na economia circular

Gabriel Rodrigues14 de julho de 2026 às 19:50
Casca de laranja pode gerar alimentos e cosméticos, aponta Unicamp

Uma investigação realizada na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) revela que a casca de laranja, um resíduo significativo da indústria citrícola, pode ser utilizada de maneira integral para a produção de alimentos, cosméticos e até biocombustíveis. Esta iniciativa visa fomentar um modelo de biorrefinaria, alinhado ao conceito de economia circular.

O estudo é conduzido pela professora Rosana Goldberg Coelho, da Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA) da Unicamp. O objetivo principal é extrair diversos compostos presentes na casca da laranja para minimizar desperdícios e aumentar o valor agregado desse resíduo.

A pesquisa aborda o aproveitamento sustentável dos resíduos do agronegócio, onde a casca de laranja se destaca como uma fonte valiosa.

Extração e Aplicações

Dentre os compostos extraídos, a pectina se destaca. Este polímero natural é amplamente utilizado pela indústria alimentícia, especialmente em produtos como geleias e diversas bebidas. Além disso, a hemicelulose extraída da casca é convertida em xilooligossacarídeos, que são açúcares funcionais reconhecidos por suas propriedades prebióticas, nutrindo as bactérias benéficas do intestino.

"

"Implementamos uma biorrefinaria integrada para maximizar o uso de todas as frações da casca de laranja", afirma Rosana Goldberg.

Após a extração desses compostos, a fração rica em celulose pode ser utilizada de duas formas: pode ser hidrolisada para obter glicose, que é fermentada para produzir etanol, ou pode ser convertida em biogás, contribuindo para a geração de energia.

Potencial no Setor Cosmético

Os xilooligossacarídeos também apresentam um forte potencial de aplicação na indústria de cosméticos, principalmente em produtos hidratantes. Eles possuem uma elevada capacidade de retenção de água, que ajuda a manter a umidade da pele.

Esses compostos não só hidratam, mas também favorecem a presença de bactérias benéficas na pele.

Oportunidades e Desafios

Como um dos gigantes da produção de laranjas no mundo, o Brasil gera um elevado volume de resíduos na indústria de sucos. Apesar disso, uma grande parte das cascas é atualmente destinada à alimentação animal. Para a professora Goldberg, é essencial explorar um leque mais amplo de usos, o que pode não apenas reduzir desperdícios, mas também criar novas oportunidades de mercado.

Ela observa que, em vez de focar somente na produção de suco, as empresas poderiam explorar esses subprodutos, desenvolvendo itens de alto valor agregado no setor cosmético e alimentar.

Entretanto, a pesquisa revela que, embora haja sustentação econômica para a aplicação de todos os componentes da casca, a produção em grande escala ainda enfrenta desafios. O custo elevado do processo de extração, especialmente o uso de enzimas na hidrólise, é um dos principais entraves para a implementação no mercado brasileiro.

"

"A casca de laranja é valiosa, pois não só contém celulose, mas também pectina, que pode ser aproveitada para tecnologias inovadoras", conclui Rosana Goldberg.

Não perca nenhuma notícia!

Receba as principais notícias e análises diretamente no seu email. Grátis e sem spam.

Ao assinar, você concorda com nossa política de privacidade.

Gostou desta notícia? Compartilhe!

Mais de Agronegócio