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Agronegócio
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CNA afirma que antidumping do leite em pó não afeta inflação

Medida atinge somente leite para uso industrial, diz entidade

Fernanda Lima02 de junho de 2026 às 16:40
CNA afirma que antidumping do leite em pó não afeta inflação

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) declarou nesta segunda-feira (1º) que a imposição de direito antidumping sobre o leite em pó importado não acarretará um impacto significativo na inflação.

Em uma nota técnica enviada aos ministérios que compõem o Comitê Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex-Camex), a CNA enfatizou que a medida afeta apenas o leite em pó industrial, deixando de lado os produtos mais consumidos pelas famílias brasileiras.

O antidumping não se aplica ao leite em pó fracionado para o consumidor direto e ao leite longa vida, segundo a CNA.

A manifestação ocorreu antes da reunião do Gecex-Camex em 28 de novembro, onde houve uma decisão cautelar sobre a suspensão do direito antidumping referente ao leite em pó da Argentina e do Uruguai, esperando-se uma análise sobre os possíveis impactos na inflação.

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) informou que, devido à necessidade de examinar os efeitos da medida nos preços, a suspensão foi imediata e cautelar.

Na nota, a CNA elencou que os produtos que utilizam leite em pó industrial são predominantemente ultraprocessados, incluindo chocolates, sorvetes e bebidas lácteas. O impacto desses produtos no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) é de apenas 0,26%, com a importação representando cerca de 6% do consumo total no Brasil.

A CNA também destacou que a produção nacional tem capacidade para satisfacer a demanda interna. Historicamente, entre 2001 e 2017, durante a aplicação de direitos antidumping, o setor de leite cresceu 62%. No entanto, após a eliminação dessas medidas, a expansão da indústria caiu de 4,2% ao ano para apenas 0,7%.

A investigação sobre práticas de dumping nas importações de leite foi instaurada pelo MDIC em 2024, decorrente de um pedido da CNA, que representa mais de 1 milhão de produtores de leite no Brasil, 64% dos quais são pequenos agricultores.

A resolução deste processo dependerá da conclusão das análises realizadas pelo Gecex-Camex, enquanto as divergências entre a avaliação da CNA e a análise oficial sobre os impactos no mercado leiteiro permanecem.

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