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Agronegócio
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Novo projeto Ordenha Brasil revoluciona produção de leite no país

Iniciativa visa aprimorar a gestão e produtividade nas propriedades leiteiras.

Tiago Abech28 de maio de 2026 às 11:10
Novo projeto Ordenha Brasil revoluciona produção de leite no país

Em um cenário de estreitamento das margens financeiras, a aplicação de tecnologias e a gestão eficaz de dados tornaram-se essenciais para o sucesso das propriedades leiteiras. Um levantamento revela que mais da metade das fazendas de alto rendimento já utiliza ferramentas de monitoramento de vacas em lactação.

É nesse contexto que foi lançado o Ordenha Brasil, um novo projeto que visa mapear a produção com indicadores e benchmarks exclusivos para os produtores de leite. A apresentação ocorreu em um evento em Atibaia, São Paulo, nesta quarta-feira (27). A iniciativa é fruto de uma parceria entre a MSD Saúde Animal e a Scot Consultoria, alinhando-se à proposta do Confina Brasil, que há anos mapeia a pecuária de corte no país.

O projeto irá visitar fazendas com produção acima de 15 mil litros diários para coletar dados produtivos, operacionais e financeiros.

Segundo Rafael Luiz da Silva, gerente de mercado de gado de leite da MSD, a proposta atende a uma necessidade urgente por referências estatísticas confiáveis. Ele enfatiza que os produtores devem estar abertos à adoção de serviços, gestão e troca de informações. "A tecnologia se tornou um caminho sem volta. O produtor precisa profissionalizar-se constantemente para manter a rentabilidade", afirma Silva.

Acelerando a transformação no mercado leiteiro

A rápida evolução do mercado leiteiro nacional se reflete no crescimento acelerado dos principais produtores, que aumenta quatro vezes mais do que a média nacional. "A gestão está muito mais precisa, e os produtores buscam ferramentas que lhes permitam identificar onde podem melhorar a eficiência na fazenda", destaca Silva.

Importante ressaltar que o tamanho da propriedade não necessariamente determina sua produtividade. "Atualmente, existem propriedades menores altamente tecnificadas e rentáveis. A diferenciação está mais na profissionalização do que no tamanho da propriedade", observa.

O Ordenha Brasil irá mapear os desafios e as estratégias dos principais produtores de leite no Brasil.

Juliana Pila, analista da Scot Consultoria, acrescenta que o levantamento deve evidenciar como a tecnologia, gestão e produtividade influenciam diretamente na rentabilidade das propriedades. "Os produtores que implementam alta tecnologia conseguem manter margens positivas, mesmo diante das variações do mercado. Isso depende de investimentos em manejo, nutrição e gestão", ressalta.

  • 1Propriedades mais produtivas têm maior poder de compra de insumos.
  • 2Produção estável, mesmo com a saída de pequenos produtores.
  • 3Expectativa de crescimento moderado do setor em 2026.

A analista enfatiza que a evolução na profissionalização continuará moldando o setor nos próximos anos, especialmente em um ambiente de margens apertadas e alta demanda por eficiência. "Queremos demonstrar como produtores podem progredir e como modelos de eficiência podem servir de referência para outras práticas de produção", conclui.

Crescimento do setor em meio à concentração

Apesar do declínio no número de propriedades leiteiras recentemente, Silva acredita que o setor permanece organizado e diversificado. "O Brasil possui desde pequenas propriedades que produzem 100 litros por dia até fazendas que ultrapassam os 100 mil litros diários. Na verdade, a redução de pequenos produtores foi compensada pelo crescimento das propriedades mais tecnificadas, o que permitiu a estabilidade na produção nacional nos últimos anos. Em 2025, o Brasil viu um aumento de 8,5% na produção de leite em relação a 2024, totalizando 27,51 bilhões de litros."

Com base nos dados da Scot Consultoria, espera-se que esse crescimento continue em 2026, embora em um ritmo mais suave. "O mercado deve apresentar um aumento na oferta ao longo deste ano, mas com um ritmo mais moderado do que o observado anteriormente", finaliza Juliana.

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