Crise no agro brasileiro ameaça produção e economia
Custos altos e clima adverso aumentam riscos no setor agrícola

A situação crítica do agronegócio no Brasil, evidenciada por custos elevados, fenômenos climáticos extremos e altas taxas de juros, está pressionando os produtores e aumentando o risco de inadimplência no setor.
Maurício Buffon, presidente da Aprosoja Brasil, analisa essa crise e destaca a necessidade urgente de uma nova securitização para garantir a continuidade da produção e mitigar impactos na economia.
✨ O agronegócio brasileiro vive um dos períodos mais desafiadores da sua história recente.
Em seu artigo 'O Agro Brasileiro no limiar de uma nova securitização', Buffon descreve uma 'tempestade perfeita' no setor, resultante de desafios econômicos e climáticos. Ele observa que a pandemia de Covid-19 e as tensões geopolíticas agravaram os custos de produção, especialmente de fertilizantes, com os quais o Brasil é mais de 90% dependente de importações.
Além disso, problemas climáticos, como secas e inundações em estados como o Rio Grande do Sul e regiões do Centro-Oeste, têm comprometido as colheitas e reduzido as margens de lucro dos produtores.
Em meio a esse cenário, o endividamento no setor agrícola tem se intensificado, com muitos produtores encontrando dificuldades para cumprir suas obrigações financeiras, especialmente devido aos altos juros e à inflação persistente.
"Os pedidos de recuperação judicial no campo cresceram mais de 500% em 2023 em comparação com o ano anterior
Buffon alerta que essa crescente inadimplência não é apenas uma questão pontual, mas uma ameaça sistêmica ao agronegócio e à economia nacional. Ele critica ainda a atual estrutura de crédito rural, que prioriza garantias para instituições financeiras em detrimento dos agricultores.
Sem reformas estruturais, o financiamento para a próxima safra já mostra sinais de desaceleração, colocando em risco um setor crucial para a geração de riqueza e divisas.
A proposta de nova securitização
Em resposta a essa crise, cresce o apoio a propostas mais abrangentes. Buffon sugere que a solução não deve se restringir a simples prorrogações, mas sim a um programa estruturado de renegociação de dívidas.
A mobilização da Frente Parlamentar da Agropecuária e do Instituto Pensar Agro mostra que a questão será uma prioridade legislativa em 2026. O Projeto de Lei 5122 surge como um elemento central nessa estratégia, com potencial para reformular a estrutura de crédito e seguro rural, aumentando a proteção legal para os produtores.
A situação atual destaca o desafio do Brasil em manter-se como líder global na produção de alimentos e energia limpa. Buffon acredita que a aprovação de medidas estruturais não só ajudará a reduzir o endividamento, mas também permitirá que os produtores reinvistam em produtividade e inovação.
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Gabriel Azevedo
Jornalista especializado em Agronegócio
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