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Agronegócio
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Safrinha de milho enfrenta riscos climáticos e queda na produção

Atraso no plantio acentua exposição da cultura a condições adversas

Gabriel Azevedo04 de abril de 2026 às 06:20
Safrinha de milho enfrenta riscos climáticos e queda na produção

O atraso no cultivo da segunda safra de milho, conhecido como safrinha, eleva os riscos climáticos que a cultura enfrenta, tornando a necessidade de chuvas nos próximos dois meses crucial para salvar a produtividade.

Com a já baixa chance de chuvas regulares, de acordo com o Itaú BBA, os agricultores se preocupam com um cenário que pode enfraquecer ainda mais a safra, especialmente em áreas plantadas mais tarde.

A safra está perdendo potencial produtivo devido à irregularidade das precipitações prevista para o outono.

As projeções climáticas sugerem que a chuva deve se tornar cada vez mais escassa, especialmente após maio. Nas regiões de Goiás, Matopiba (que abrange partes do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia) e em certos trechos de Mato Grosso do Sul, o plantio atrasado em combinação com a diminuição da janela de chuvas pode impactar negativamente a colheita.

Enquanto isso, Mato Grosso, que começou o plantio mais cedo, enfrenta um risco climático relativamente menor, embora também dependa muito das chuvas.

Dados de Plantio

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) reportou que 95% da área esperada para a safrinha de milho em 2025/26 já foi plantada, abaixo dos 98% registrados no ano anterior.

A análise do Itaú BBA revela que a atual safra está abaixo da média histórica, resultando de atrasos na colheita da soja em várias regiões do Centro-Oeste. No estado de Goiás, 70% da área deve ser plantada fora do período considerado ideal, intensificando o risco de problemas relacionados ao clima.

Em Mato Grosso, esse número é de cerca de 18% e, com isso, a StoneX reduziu suas previsões de produção para a safrinha, agora estimada em 106 milhões de toneladas, uma diminuição de 0,6% em relação ao mês anterior.

Na safra de 2024/25, o Brasil colheu mais de 112 milhões de toneladas. A StoneX também ajustou suas projeções com base na redução da área plantada, principalmente em São Paulo e Mato Grosso, refletindo os atrasos no plantio.

Os fatores climáticos continuam sendo uma preocupação central. Previsões indicam que a chuva em abril pode não atingir os volumes habituais, impactando negativamente a produtividade esperada no Paraná, que deve resultar em 16,8 milhões de toneladas, 1,8% a menos do que anunciado em março.

A safrinha é essencial para o abastecimento interno e a exportação do milho brasileiro.

A situação atual afetou a cotação do milho, que subiu 5,7% na bolsa de Chicago em março, impulsionado por uma demanda sólida nos EUA e preocupações sobre a safra brasileira. "O aumento da incerteza sobre o tamanho da safrinha afeta os preços porque não há clareza a respeito da oferta, enquanto a demanda sigue firme, especialmente para etanol", afirma Marcela Marini, analista de grãos do Rabobank.

No mercado interno, o cenário é semelhante, com o Itaú BBA destacando uma recuperação nos preços em março, após um declínio em fevereiro. Em Campinas (SP), os preços subiram 3,5%, chegando a R$ 70 por saca.

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