El Niño 2026 é comparado com tragédia de 1877, mas especialista alerta
Engenheiro agrônomo critica conexões entre os fenômenos climáticos.

Recentemente, a confirmação do El Niño já estabelecido e com potencial para intensa intensidade trouxe à tona comparações nas redes sociais entre o fenômeno atual e o catastrófico evento de 1877, que é lembrado como uma das maiores tragédias humanitárias devido à fome que causou milhões de mortes.
O engenheiro agrônomo Gilberto Cunha argumenta que tais comparações são inadequadas e que cada situação deve ser analisada dentro de seus próprios contextos sociais, econômicos e científicos. Em sua avaliação, o El Niño de 1877 teve consequências devastadoras, mas as circunstâncias daquela época eram radicalmente diferentes das de hoje.
Contexto Histórico do El Niño de 1877
De acordo com Cunha, o evento de 1877 ocorreu durante o fim da Era Vitoriana, quando a economia global operava sob o padrão ouro, tendo Londres como centro de poder. Durante esse período, secas severas entre 1876 e 1879 causaram fome extrema, principalmente nas colônias britânicas, afetando áreas como a Índia e a China, resultando em milhões de mortes.
""Historiadores se referem ao episódio como um 'holocausto vitoriano' devido à magnitude da tragédia. Naquele tempo, a relação entre o que ocorreu e a política colonial britânica é ainda debatida"
✨ O El Niño de 2026 conta com monitoramento científico sofisticado, ao contrário do evento de 1877.
Diferenças na Análise Científica
Cunha destaca que, enquanto o El Niño de 2026 é fundamentado em dados coletados por tecnologias modernas de monitoramento das temperaturas do Oceano Pacífico, o de 1877 foi identificado retrospectivamente, o que resulta em altos níveis de incerteza sobre suas reais consequências.
Impactos e Mortes
Estima-se que o El Niño de 1877 tenha contribuído para a morte de até 50 milhões de pessoas, com as secas severas impactando particularmente a agricultura na Índia, China e Brasil.
Reflexões para o Futuro
Diante dos riscos associados a eventos climáticos extremos, Cunha recomenda que a indústria agropecuária evite comparações infundadas e se concentre em estratégias proativas com base em previsões confiáveis do ENOS (El Niño – Oscilação Sul) e planejamentos robustos para mitigar os efeitos das anomalias climáticas.
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