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Agronegócio
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Geopolítica e alta dos fertilizantes pressionam soja em 2026

Desafios para rentabilidade de produtores brasileiros em meio a safra recorde

Gabriel Rodrigues07 de maio de 2026 às 10:45
Geopolítica e alta dos fertilizantes pressionam soja em 2026

O ENSSOJA 2026 destacou os impactos da geopolítica global e a alta nos preços dos fertilizantes, indicando um cenário desafiador para a rentabilidade dos produtores de soja no Brasil, mesmo com a expectativa de uma safra recorde.

Durante sua apresentação, André Pessoa, sócio-diretor da Agroconsult, enfatizou que a sustentação dos preços da soja não se deve apenas à oferta e demanda, mas também às nuances da economia internacional, incluindo a desvalorização do dólar. "A inflação dos preços das commodities é estimulada pela queda do dólar frente às demais moedas", esclareceu.

Se o dólar tivesse o mesmo valor do ano passado, os preços da soja precisariam reduzir quase 10%.

O aumento da volatilidade no mercado também é influenciado por tensões geopolíticas, que geram incertezas sobre o abastecimento global de energia e fertilizantes. Apesar da safra histórica, com o Brasil cultivando aproximadamente 49 milhões de hectares e colhendo cerca de 185 milhões de toneladas, os estoques permanecem baixos.

Para a próxima temporada, o cenário começa a indicar mudanças. Com o retorno dos Estados Unidos como competidor no mercado internacional, a oferta global de soja tende a aumentar. Mesmo assim, o Brasil deve alcançar níveis recordes de exportação, estimando-se 112 milhões de toneladas, enquanto o processamento interno deve superar 61 milhões de toneladas.

Contudo, André Pessoa mostrou preocupação com a estagnação dos preços internos. Nos principais polos de produção, como Sorriso, em Mato Grosso, o preço da soja permaneceu praticamente inalterado, marcando variações entre R$ 101 e R$ 103 por saca.

Os custos de produção, por outro lado, continuam elevados. O dólar desvalorizado não teve o efeito esperado de baratear os insumos, uma vez que a escalada dos conflitos no Oriente Médio impactou negativamente os preços internacionais de fertilizantes.

O aumento dos custos decorrentes dos conflitos internacionais pode representar um incremento de 1,5 saca de soja a mais por hectare na próxima safra.

Essas dificuldades são acentuadas pela deterioração das relações de troca, obrigando os produtores a gastar de 3 a 6 sacas a mais para adquirir insumos básicos em comparação com a safra anterior. Uma preocupação expressa foi a dependência do fósforo, que está atrelado ao enxofre que, devido às tensões no Oriente Médio, disparou de menos de 100 dólares a tonelada para 1.000 dólares.

A mudança nas estratégias das empresas de fertilizantes também foi um ponto crítico discutido. Após perdas significativas durante o conflito na Ucrânia, muitas preferem importar apenas produtos que já foram vendidos e contratados, criando um cenário de estoques limitados e aumentando os riscos logísticos.

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