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Agronegócio
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Girassol Agrícola aposta em eucalipto para diversificação e lucro

Crescimento em plantio visa atender demanda crescente de biomassa

Giovani Ferreira29 de junho de 2026 às 05:10
Girassol Agrícola aposta em eucalipto para diversificação e lucro

A Girassol Agrícola, localizada em Rondonópolis (MT), um dos principais centros produtores de soja e milho do Brasil, está diversificando suas operações ao investir no cultivo de eucalipto. A empresa, que registrou uma receita de R$ 1,1 bilhão no ano passado, se tornou a maior proprietária individual de florestas no estado com essa nova estratégia.

A companhia já possui 10,5 mil hectares dedicados ao cultivo de eucalipto e prevê ampliar sua área plantada em mais 4 mil hectares nos próximos três anos, visando atender a demanda crescente por biomassa para usinas de etanol de milho. Segundo o CEO, Gilmar Meneghini, o eucalipto atualmente oferece margens de lucro superiores às das culturas de grãos.

A rentabilidade do eucalipto já é duas vezes maior que a da soja e milho.

Desde 2019, a demanda por biomassa para as usinas de etanol de milho em Mato Grosso aumentou significativamente, sendo necessário um plantio adicional de eucalipto. Atualmente, calcula-se que seriam necessários mais de 400 mil hectares plantados para atender toda a demanda das usinas de etanol, mas a realidade é que há menos de 200 mil hectares. Isso resulta em um paradoxo, gerando uma pressão sobre florestas nativas para suprir a falta de oferta de biomassa.

Compromisso do Estado

O Ministério Público de Mato Grosso firmou um compromisso para proibir o uso de florestas nativas no atendimento à demanda energética das agroindústrias até 2035, incentivando o plantio de eucaliptos.

O plantio de eucalipto na Girassol começou há 18 anos como uma alternativa para áreas que não eram adequadas para grãos. Com o crescimento das usinas de etanol a partir de 2019, a empresa viu uma oportunidade de mercado e intensificou suas ações. Hoje, a Girassol vende cerca de 1 milhão de metros cúbicos de cavaco para a FS, sendo que essa receita pode alcançar até R$ 1 bilhão até 2031.

A evolução no preço do cavaco de madeira de eucalipto, que saltou de R$ 30 para R$ 140 por metro cúbico desde 2019, é um reflexo da demanda crescente. Com uma receita projetada de R$ 92 mil por hectare no cultivo de eucalipto, comparada a R$ 35 mil por hectare da soja, a empresa percebe que o eucalipto se tornará fundamental em sua estratégia de lucro.

Para expandir suas áreas de eucalipto, a Girassol estima um investimento de R$ 18 mil a R$ 20 mil por hectare, totalizando até R$ 80 milhões. Apesar de encontrar dificuldades em financiamentos devido às altas taxas de juros, Meneghini acredita que a geração de receita das culturas existentes (soja, milho e algodão) garantirá os recursos necessários para esse investimento.

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