Algodão brasileiro atinge 82% de certificação em 20 anos
Histórico avanço na rastreabilidade e qualidade da produção

Nos últimos 20 anos, a produção de algodão no Brasil passou por transformações significativas, evoluindo na certificação e rastreabilidade, de modo que 82% da colheita da safra 2024/25 já conta com certificações que garantem qualidade e sustentabilidade.
A trajetória do algodão brasileiro
Desde o início dos anos 2000, quando o Brasil buscava se firmar no mercado global, até hoje, a fibra nacional não apenas aumentou sua presença, mas também criou uma história robusta em torno de sua rastreabilidade e qualidade. O setor começou a se profissionalizar, percebendo que credibilidade técnica era essencial para competir com grandes produtores internacionais.
"A gente tinha que ter identificação fardo a fardo no Brasil, de maneira individualizada
A implementação de um sistema de rastreabilidade em 2004 foi um marco, unindo cada fardo a análises de qualidade. Entretanto, os primeiros passos foram modestos, com informações limitadas, mas funcionais, permitindo identificação da unidade de beneficiamento e localização da produção.
✨ O Brasil se tornou o maior exportador de algodão do mundo.
A introdução do programa de certificação socioambiental, em 2012, impulsionou ainda mais a adesão dos produtores. De 34% na primeira safra de certificação, o número subiu para os atuais 82%. Os protocolos se adaptaram a novas exigências do mercado, incorporando critérios sociais e ambientais.
Desafios e avanços recentes
Além da certificação nas fazendas, a experiência teve que ser estendida aos processos de beneficiamento e logística, garantindo consistência em toda a cadeia produtiva. Isso ocorre porque as unidades operam como fábricas que demandam padrões específicos.
Um desafio adicional tem sido a desconfiança sobre a qualidade das análises realizadas no Brasil, levando o setor a investir cerca de R$ 50 milhões em um programa nacional de qualidade. Os resultados têm mostrado uma assertividade superior a 90% nos laudos.
Contexto
Desde 2021, cerca de 620 mil peças de roupa foram rastreadas, envolvendo a coordenação de todos os elos da cadeia.
Embora o Brasil tenha consolidado sua posição como líder na exportação de pluma, ele enfrentou um paradoxo: caiu para a 25ª posição na exportação de produtos têxteis acabados. O preço elevado da produção local em comparação a produtos importados, especialmente da Ásia, representa um obstáculo.
Ainda assim, a fibra de algodão se destaca por suas qualidades, como conforto e respirabilidade. O futuro depende não apenas da continuidade da produção, mas também de uma imagem forte e de uma maior presença no setor da moda.
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